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Utilitarismo (Ex. 22:15)

וְכִי-יְפַתֶּה אִישׁ, בְּתוּלָה אֲשֶׁר לֹא-אֹרָשָׂה–וְשָׁכַב עִמָּהּ מָהֹר יִמְהָרֶנָּה לּוֹ לְאִשָּׁה

“Se alguém enganar alguma virgem, que não for desposada, e se deitar com ela, certamente a dotará e tomará por sua mulher.” (Shemôt/Êxodo 22:15)

Diversas passagens na Torá ensinam um mesmo conceito, que é o de se responsabilizar por seus atos. Este é mais um exemplo: Seduzir uma mulher, para depois abandoná-la era considerado pela Torá um ato abominável. Por trás desses ensinamentos, há dois valores importantes: O primeiro que é o de não se aproveitar da fragilidade alheia. O segundo, que não se deve tratar as pessoas como se fossem descartáveis, e estivessem a nosso serviço. Vivemos numa época em que as pessoas acham natural pensarem em seus relacionamentos de forma utilitária. De quem é bom me aproximar? Quem me favorece com sua amizade? O que posso obter de estar junto de outrem? Quem irei adicionar numa rede social para me promover, ou para que me seja útil? Nenhum desses pensamentos está alinhado com a Torá. As pessoas não são mercadoria de supermercado. Viver a Torá é aceitar um pensamento bem mais sublime: O de que cada ser humano é uma bela e extraordinária criação do Eterno.

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A Torá e a Sociedade (Lv. 27:4)

וְאִם-נְקֵבָה הִוא–וְהָיָה עֶרְכְּךָ שְׁלֹשִׁים שָׁקֶל

“Porém, se for mulher, a tua avaliação será de trinta siclos.” (Wayiqrá/Levítico 27:4)

Por que a avaliação da mulher era inferior à do homem? A primeira impressão que isso pode passar é de uma subvalorização da mulher. No entanto, não era essa a razão. A medida usada para a avaliação era por capacidade de trabalho. Nos tempos primitivos, havia pouco trabalho intelectual. A maior parte do trabalho era braçal, e exigia força física. Além de ter uma constituição física mais frágil, a mulher também se via dificultada pela maternagem. Pela mesma razão, crianças e idosos também tinham avaliação menor. Ou seja, o valor aqui indicado era o valor para a sociedade, e não para o Eterno. Se a Torá tivesse sido dada em nossos tempos, certamente os valores seriam outros. É importante compreender que existe um elemento cultural na Torá, que traduz a realidade em que a Torá foi dada. Não é possível ouvir a voz do Eterno, se não compreendemos que essa voz vem na sonoridade que o ser humano é capaz de compreender, e de ouvir. O Eterno nunca revela aquilo que está além da capacidade humana de compreender, aceitar e por em prática. Deve-se cuidar, todavia, para não atribuir ao Eterno elementos que são humanos.

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A Importância da Palavra (Nm. 30:3)

אִישׁ כִּי-יִדֹּר נֶדֶר לַיהוה אוֹ-הִשָּׁבַע שְׁבֻעָה לֶאְסֹר אִסָּר עַל-נַפְשׁוֹ–לֹא יַחֵל דְּבָרוֹ כְּכָל-הַיֹּצֵא מִפִּיו יַעֲשֶׂה

“Quando um homem fizer voto a YHWH, ou fizer juramento, ligando a sua alma com obrigação, não violará a sua palavra: segundo tudo o que saiu da sua boca, fará.” (Bamidbar/Números 30:3)

Desde os primórdios, a Torah nos ensina sobre a importância do compromisso da palavra. Não apenas para com o Eterno, mas também para com o próximo. A palavra é das coisas mais preciosas que possuímos, e também das que mais desperdiçamos. Quando dizemos que vamos fazer algo, mesmo que corriqueiro, e não nos sentimos compelidos a mantermos nossas próprias palavras, estamos aos poucos destruindo nossa credibilidade, e caminhando de forma contrária aos valores da Torah. Valorizar a palavra é valorizar a si próprio.

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Preciosidade (Ex. 39:7)

וַיָּשֶׂם אֹתָם עַל כִּתְפֹת הָאֵפֹד אַבְנֵי זִכָּרוֹן לִבְנֵי יִשְׂרָאֵל כַּאֲשֶׁר צִוָּה יהוה אֶת-מֹשֶׁה

“E as pôs sobre as ombreiras do efod por pedras de memória para os filhos de Israel, como YHWH ordenara a Moshe.” (Shemot/Êxodo 39:7)

A parte mais preciosa da vestimenta do Kohen haGadol (Sumo Sacerdote) era justamente o local sobre os quais era colocado o nome dos filhos de Israel, por memorial. Isso nos ensina duas lições muito importantes: A primeira é que o próprio Eterno valoriza de sobremaneira cada pessoa do seu povo. E a segunda é que aquele que deseja servir ao Eterno deve conhecer esse valor, para estar alinhado à vontade do Criador. Mas, não se conhece o valor do outro sem antes conhecer o valor de si mesmo. Comece pela compreensão de que você é precioso para o Criador, e a partir daí poderá evoluir para apreciar e valorizar o próximo.

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Pureza e Preciosidade (Ex. 37:1)

וַיְצַפֵּהוּ זָהָב טָהוֹר מִבַּיִת וּמִחוּץ וַיַּעַשׂ לוֹ זֵר זָהָב סָבִיב

“E cobriu-a de ouro puro por dentro e por fora; e fez-lhe uma coroa de ouro ao redor;” (Shemot/Êxodo 37:2)

A pureza do ouro da arca revela uma lição valiosa. Assim como a arca, que guardava os Ditos do Eterno, era de ouro, devemos assim também encontrar formas de valorizar aquilo que o Eterno nos revelou. E assim como a arca era pura, por dentro e por forma, devemos demonstrar pureza não apenas em nossas ações, como também em nossas intenções. E aquilo que não é puro deve ser trabalhado em sinceridade com Ele. O Eterno nos aperfeiçoa, para que possamos serví-Lo de todo coração.

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