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Sede do Eterno (Sl. 63:1)

אֱלֹהִים אֵלִי אַתָּה– אֲשַׁחֲרֶךָּ צָמְאָה לְךָ נַפְשִׁי– כָּמַהּ לְךָ בְשָׂרִי בְּאֶרֶץ-צִיָּה וְעָיֵף בְּלִי-מָיִם

“O Elohim, tu és o meu Elohim, de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água.” (Tehilim/Salmos 63:1)

Se você ao ler o versículo acima pensa – Que lindo! – então releia com atenção. Para alguém que residia num lugar semi-árido, a terra seca e cansada, sem água, não é exatamente uma descrição de beleza, mas sim de uma situação de muita angústia. O salmista não está fazendo um elogio ao Eterno, mas sim uma declaração de angústia. O que o salmista descreve é algo que muitos de nós sentimos, nalgum momento da vida: A sensação de vazio. O salmo continua, mostrando como o salmista considerava a vida um fardo enorme. E sentia-se vazio e desesperançoso de mudanças. Nesse momento, o salmista fez a única coisa que de fato preenche esse vazio: Voltou-se para o Criador, e clamou por sua presença. Se você sente vazio e desesperança, é importante compreender que só há UM que é capaz de preencher esse vazio. Os clamores de nossa alma só podem ser saciados pela presença do Criador. Se você tem sentido esse vazio, pode ser sinal de distanciamento do Criador. Aproxime-se dEle, e o vazio se tornará em deleite.

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Amor e Cura (Lv. 19:18)

לֹא-תִקֹּם וְלֹא-תִטֹּר אֶת-בְּנֵי עַמֶּךָ וְאָהַבְתָּ לְרֵעֲךָ כָּמוֹךָ אֲנִי יהוה

“Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou ADONAY.” (Wayiqrá/Levítico 19:18)

A Torá aqui enfatiza o amor. No hebraico original, entende-se isso não como sentimento, mas como uma prática de solidariedade e de solicitude para com o próximo. Embora não controlemos nossas emoções, agir dessa maneira, buscando o bem do próximo é o melhor antídoto contra a raiva, a tristeza e a mágoa. Ao nos focarmos na necessidade do próximo, deixamos nossas dores de lado. E, com isso, começamos a trilhar o caminho na direção da cura.

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Força na Tristeza (Lv. 16:1)

וַיְדַבֵּר יהוה אֶל-מֹשֶׁה אַחֲרֵי מוֹת שְׁנֵי בְּנֵי אַהֲרֹן–בְּקָרְבָתָם לִפְנֵי-יהוה וַיָּמֻתוּ

“E falou ADONAY a Moshe, depois da morte dos dois filhos de Aharon, que morreram quando se chegaram diante de ADONAY.” (Wayiqrá/Levítico 16:1)

Como Aharon (Aarão) podia conseguir sequer se levantar da cama, para servir ao Eterno, depois da morte de seus dois filhos? Como super tamanha tristeza? A resposta está no fato de que Aharon compreendia o grau de importância de sua missão de vida, e quanto o povo dependia dele. Se você está abatido, triste, e desanimado, pare e reflita: Se Ele te chamou para o monoteísmo, é porque você tem uma missão extraordinariamente importante de, pelo seu exemplo de vida, ensinar aos demais sobre a preciosidade de uma vida debaixo da vontade do Criador. Não se deixe abater, e tenha força, para fazer aquilo que o Eterno espera de você, pois esse é o elemento principal de nossas vidas.

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Ódio Gratuito (Mensagem Especial)

רַבּוּ מִשַּׂעֲרוֹת רֹאשִׁי שֹׂנְאַי חִנָּם עָצְמוּ מַצְמִיתַי אֹיְבַי שֶׁקֶר אֲשֶׁר לֹא-גָזַלְתִּי אָז אָשִׁיב

“Aqueles que me odeiam sem causa são mais do que os cabelos da minha cabeça; aqueles que procuram destruir-me, sendo injustamente meus inimigos, são poderosos; então restituí o que não furtei.” (Tehilim/Salmos 69:5)

Muitas vezes essa é a sensação quando se enfrenta inimigos que desejam a todo custo nos destruir. Não apenas a sensação de angústia, mas também a de revolta diante da injustiça de ter que até mesmo restituir aquilo que jamais roubou. A hora não de se voltar para homens, pois esses estão ocupados demais com seus jogos perversos de poder, e pouco se importam com as vidas abaixo deles. É hora de nos voltarmos para o Criador dos céus e da terra, pois dEle vem a justiça perfeita, e o agir no tempo certo. Clamemos a Ele, e Ele nos ouvirá, pois essa é a Sua promessa, por amor do Seu nome.

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Perdas (Gn. 23:1)

וַיִּהְיוּ חַיֵּי שָׂרָה מֵאָה שָׁנָה וְעֶשְׂרִים שָׁנָה וְשֶׁבַע שָׁנִים–שְׁנֵי חַיֵּי שָׂרָה

“E foi a vida de Sara cento e vinte e sete anos; estes foram os anos da vida de Sara.” (Bereshit/Gênesis 23:1)

A Torá começa a parashá não falando da morte de Sara, mas sim de sua vida. Não no fim, mas em todo o processo. Quando temos uma perda, seja de alguém ou de algo, é comum focarmos naquilo que nos falta, e não naquilo que, durante um bom tempo, o Eterno nos concedeu. Focar nas lembranças boas, ao invés de na ausência, nos ajuda a termos a perspectiva de que a ausência é apenas ilusória. Não há nada na natureza que se perca. O que há é transformação. E essa transformação abre espaço para que vivamos novas coisas. O Eterno muda nossas vidas, para que possamos evoluir de acordo com a vontade dEle. Pois Ele nos prepara para coisas grandiosas no mundo vindouro.

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Vidas Quebrantadas (Especial Tish’a BeAv)

בְּנֵי צִיּוֹן הַיְקָרִים הַמְסֻלָּאִים בַּפָּז אֵיכָה נֶחְשְׁבוּ לְנִבְלֵי-חֶרֶשׂ מַעֲשֵׂה יְדֵי יוֹצֵר

“Os preciosos filhos de Siyon, avaliados a puro ouro, como são agora reputados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro!” (Ekha/Lamentações 4:2)

Diferentemente do ouro, precioso e permanente, o barro é passageiro, e frágil. Os filhos de Israel seriam quebrantados pelo Eterno, como o oleiro que refaz sua obra. O processo de ter sua vida quebrantada, para ser refeita de forma a estar mais alinhada com a vontade do Criador é doloroso, árduo, e difícil. E exige profunda reflexão sobre onde devemos rever nossas atitudes e nossas escolhas. Todavia, o objetivo do Criador não é nos destruir, e sim nos purificar. Ele permite que soframos, porque Ele nos ama, e quer o melhor para o Seu povo.

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A Dificuldade da Morte (Is. 25:8)

בִּלַּע הַמָּוֶת לָנֶצַח וּמָחָה אֲדֹנָי יהוה דִּמְעָה מֵעַל כָּל-פָּנִים וְחֶרְפַּת עַמּוֹ יָסִיר מֵעַל כָּל-הָאָרֶץ–כִּי יהוה דִּבֵּר

“Aniquilará a morte para sempre, e assim enxugará Adonay YHWH as lágrimas de todos os rostos, e tirará o opróbrio do seu povo de toda a terra; porque YHWH o disse.” (Yeshayahu/Isaías 25:8)

A morte pode ser algo extremamente doloroso, pois tem aparência de uma perda irreparável. Mesmo com descobertas científicas que relativizam o tempo e o espaço, e que indicam que a morte não é o que pensamos, ainda assim é difícil nos consolar. Quis o Eterno que um véu separasse os vivos dos mortos, e que não tivéssemos acesso à realidade de quem partiu, seja ela qual for. Isso nos angustia. Um dia, contudo, as profecias dizem: Tudo fará sentido, o véu será erguido e não mais teremos que lidar com esse desconhecimento. Porém, até lá, é preciso confiar no Criador, e entender que se Ele assim o fez, é por uma boa causa. Tudo na natureza foi criado com um propósito cuidadosamente orquestrado, inclusive a transição desta existência para a próxima.

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Diante da Dor (Passuk Yomi Especial)

קָרוֹב יהוה לְנִשְׁבְּרֵי-לֵב וְאֶת-דַּכְּאֵי-רוּחַ יוֹשִׁיעַ

“Perto está YHWH dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito.” (Tehilim/Salmos 34:19)

Muitas vezes é difícil compreender porque temos que passar por certas situações. Por perdas, adversidades e por momentos de profunda dor. Qualquer tentativa de explicação parece ser fútil, e até mesmo arrogante. Afinal, não foi dado a nós seres humanos conhecermos os mistérios da vida, da morte, e do universo. Mas, uma coisa nos foi dado conhecer: Que o Eterno nos ama, e que está ao nosso lado mesmo nos momentos de tristeza ou até de revolta. Mesmo quando se está, como o salmista muitas vezes esteve, inconformado com o próprio Criador. Como um pai amoroso que segura a mão do filho que sente dor e não consegue compreender porque o pai não o salva de passar por aquela situação, Ele não nos abandona. Seu carinho por nós é imenso e inimaginável, mesmo quando parece, aos olhos da nossa frágil humanidade, estar distante. Não é preciso tentar encontrar respostas, mas é importante saber que o Eterno aceita e compreende a nossa humanidade, e nos ama acima de tudo.

O Passuk Yomi de hoje é uma pequena e singela homenagem à Camila, que lutou até ontem contra um câncer raro, e descansou aos 19 anos.

Oposição e Resgate (Jr. 32:2)

וְאָז, חֵיל מֶלֶךְ בָּבֶל צָרִים עַל-יְרוּשָׁלִָם וְיִרְמְיָהוּ הַנָּבִיא הָיָה כָלוּא בַּחֲצַר הַמַּטָּרָה אֲשֶׁר בֵּית-מֶלֶךְ יְהוּדָה

“Ora, nesse tempo o exército do rei da Babilônia cercava Yerushalayim; e Yirmiyahu, o profeta, estava encerrado no pátio da guarda que estava na casa do rei de Yehudah;” (Yirmiyahu/Jeremias 32:2)

O profeta Yirmiyahu (Jeremias) se encontrava aprisionado, e estava sendo pressionado, por ter dito a verdade acerca do que o Eterno advertia o povo. Ao invés de procurar se arrepender perante o Eterno, o rei preferira agredir o mensageiro. Frequentemente, optar por ficar ao lado da verdade o (a) colocará em choque com as demais pessoas. Como alguém que se afoga e, ao se debater, agride quem lhes tenta resgatar, as pessoas muitas vezes se tornam agressivas e até mesmo cruéis, quando aquilo que lhes alicerça é abalado. Fique firme e lembre-se: O Eterno só coloca nessa situação pessoas muito fortes, e muito especiais.

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Ambiguidade de Sentimentos (Jr. 20:12)

שִׁירוּ לַיהוה הַלְלוּ אֶת-יְהוָה כִּי הִצִּיל אֶת-נֶפֶשׁ אֶבְיוֹן מִיַּד מְרֵעִים

“Cantai a YHWH, louvai a YHWH; pois livrou a alma do necessitado da mão dos malfeitores.” (Yirmiyahu/Jeremias 20:12)

Imediatamente após dizer isso, Yirmiyahu (Jeremias) amaldiçoa o dia em que nasceu. A ambiguidade de sentimentos prevalece no livro de Yirmiyahu, a medida em que o profeta alterna entre a confiança no Eterno quanto ao futuro de Israel, e a dor que está sentindo no momento presente. Confiar no plano geral do Eterno não significa que não sintamos dor no momento. O ser humano é capaz de sentir mais de uma coisa ao mesmo tempo. Inclusive, sentimentos ambíguos e contraditórios. Expressar sua dor não significa deixar de confiar no Criador. Significa apenas que naquele momento, prevalece aquele sentimento de angústia. Confiar no Eterno não é forçar sorrisos ou fingir que está tudo bem quando o mundo cai à volta. É assumir a dor, e em meio a ela também clamar a Ele, pois sabemos que Ele cuida de nós.

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