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O Propósito da Fé (Sl. 115:1)

לֹא לָנוּ יהוה לֹא-לָנוּ כִּי-לְשִׁמְךָ תֵּן כָּבוֹד–עַל-חַסְדְּךָ עַל-אֲמִתֶּךָ

“Não a nós, ADONAY, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade.” (Tehilim/Salmos 115:1)

Há uma grande parcela de pessoas que não compreende os objetivos da fé monoteísta. Muitos acham que ela é basicamente uma forma de assegurar que nós seremos servidos pelo Eterno, e são incapazes de compreender que o papel que nos cabe é o de servos, e não o de servidos. A fé existe para nos tornar melhores, nos aperfeiçoar para que possamos aprender aquilo que necessitaremos para poder melhor servir o Criador no mundo vindouro. Embora o Eterno cuide de nós, o objetivo principal é aprendermos como podemos nos alinhar a Ele, e não como receber dEle as coisas que desejamos. Sejamos gratos pela vida e pelos planos que Ele nos concede, aceitando de bom grado e alegremente o nosso papel de servos no reino de nosso Eterno Senhor.

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Sacrifício e Gratidão (Lv. 3:2)

וְסָמַךְ יָדוֹ עַל-רֹאשׁ קָרְבָּנוֹ וּשְׁחָטוֹ פֶּתַח אֹהֶל מוֹעֵד וְזָרְקוּ בְּנֵי אַהֲרֹן הַכֹּהֲנִים אֶת-הַדָּם עַל-הַמִּזְבֵּחַ–סָבִיב

“E porá a sua mão sobre a cabeça da sua oferta, e a degolará diante da porta da tenda da congregação; e os filhos de Aharon, os kohanim, espargirão o sangue sobre o altar em redor.” (Wayiqrá/Levítico 3:2)

É surpreendente que uma oferta que não é de expiação de pecados tenha a prática do colocar a mão sobre a oferta. Principalmente considerando que a oferta de shelamim (pacífica) era voluntária, resultante de um voto feito ao Eterno. Por que colocar a mão sobre a cabeça, indicando substituição? A resposta pode estar no fato de indicar a nossa compreensão de que, por tudo que o Eterno nos provê, deveríamos a todo momento através de nossas vidas. Mesmo que nossas tentativas sejam imperfeitas, não devemos nos perder de foco essa realidade tão fundamental. E a chave para aprimoramento dessa questão é manter-se sempre grato ao Criador.

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Servir em Prioridade (Lv. 2:3)

וְהַנּוֹתֶרֶת מִן-הַמִּנְחָה–לְאַהֲרֹן וּלְבָנָיו קֹדֶשׁ קָדָשִׁים מֵאִשֵּׁי יהוה

“E o que sobejar da oferta de cereais, será de Aharon e de seus filhos; coisa santíssima é, das ofertas queimadas a ADONAY.” (Wayiqrá/Levítico 2:3)

Há uma preciosa lição a ser aprendida do fato de que, das ofertas de cereais, o que sobrasse seria de Aharon (Aarão) e seus filhos. A oferta não deveria ser primeiro destinada ao sacerdote, como frequentemente ocorria na cultura do Oriente Médio, mas o que sobrasse. A prioridade das nossas ações de serviço ao Eterno devem sempre ser Ele, e o executar a Sua vontade. Qualquer outra motivação humana, mesmo se for nobre, deve ser secundária, em relação ao serviço do Criador. O que conduz a uma reflexão: O servir o Criador deve ser sempre a principal motivação de tudo aquilo que fazemos nesta vida. Embora a Torá reconheça que há outras necessidades, elas sempre devem estar submissas à nossa missão enquanto servos do Altíssimo.

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Família (Ex. 18:5)

וַיָּבֹא יִתְרוֹ חֹתֵן מֹשֶׁה וּבָנָיו וְאִשְׁתּוֹ–אֶל-מֹשֶׁה אֶל-הַמִּדְבָּר אֲשֶׁר-הוּא חֹנֶה שָׁם–הַר הָאֱלֹהִים

“Vindo, pois, Yitrô, o sogro de Moshé, com seus filhos e com sua mulher, a Moshé no deserto, ao monte de Elohim, onde se tinha acampado.” (Shemot/Êxodo 18:5)

Observe como a Torá interrompe a narrativa de Israel, seus milagres e suas conquistas, para narrar a visita de Yitrô (Jetro), sogro de Moshé (Moisés), e chega até mesmo a narrar a confraternização em família que é realizada na ocasião. Por que narrar tal acontecimento em meio à história do povo de Israel? Talvez a resposta esteja no enfatizar a família como base e cerne da sociedade israelita. O serviço ao Eterno começa, primordialmente, dentro do lar, e nos laços familiares. O ambiente voltado para o Criador assegura o suporte necessário para que todos se desenvolvam espiritualmente. Assim sendo, o trabalho junto à família precede a preocupação com o exterior. A partir dEle, o Nome do Eterno será exaltado.

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O Verdadeiro Serviço (2 Cr. 28:23)

וַיִּזְבַּח לֵאלֹהֵי דַרְמֶשֶׂק הַמַּכִּים בּוֹ וַיֹּאמֶר כִּי אֱלֹהֵי מַלְכֵי-אֲרָם הֵם מַעְזְרִים אֹתָם לָהֶם אֲזַבֵּחַ וְיַעְזְרוּנִי וְהֵם הָיוּ-לוֹ לְהַכְשִׁילוֹ וּלְכָל-יִשְׂרָאֵל

“Porque sacrificou aos deuses de Damasco, que o feriram e disse: Visto que os deuses dos reis da Síria os ajudam, eu lhes sacrificarei, para que me ajudem a mim. Porém eles foram a sua ruína, e de todo o Israel.” (Divrê haYamim Bet/2 Crônicas 28:23)

Ahaz (Acaz) não se importava com o Eterno, e sim com os resultados de sua ambição pessoal. Por achar que os deuses sírios eram mais favoráveis, imediatamente abandonou o serviço ao Eterno. Da mesma forma, muitas pessoas pautam o seu relacionamento com o Eterno baseado nos resultados imediatos de sucesso ou fracasso em determinadas áreas da vida. Servir o Eterno verdadeiramente, contudo, requer duas coisas: A primeira, o coração íntegro, que deseja serví-Lo por Quem Ele é e não pelo que pode fazer. A segunda, a compreensão de que os planos do Eterno para nós contemplam toda a eternidade, e que resultados imediatos nada são diante disso. Pelo contrário, podem ser uma preparação para coisas mais nobres e grandiosas.

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A Presença do Criador (2 Cr. 6:18)

כִּי הַאֻמְנָם יֵשֵׁב אֱלֹהִים אֶת-הָאָדָם עַל-הָאָרֶץ הִנֵּה שָׁמַיִם וּשְׁמֵי הַשָּׁמַיִם לֹא יְכַלְכְּלוּךָ–אַף כִּי-הַבַּיִת הַזֶּה אֲשֶׁר בָּנִיתִי

“Mas, na verdade, habitará Elohim com os homens na terra? Eis que os céus, e o céu dos céus, não te podem conter, quanto menos esta casa que tenho edificado?” (Divrê haYamim Bet/2 Crônicas 6:18)

Shelomo (Salomão) compreendeu aquilo que muitos têm dificuldade: A presença do Eterno no Templo era simbólica, uma concessão ao povo de Israel para que pudesse estabelecer seu culto. Porém, até hoje muitos acreditam que o Eterno esteja num lugar. O Eterno não está nos céus, pois os céus não podem contê-lo. Não está em prédios físicos de associações religiosas, pois essas servem apenas como local para que as pessoas se reúnam. O Eterno, na realidade, não “está”. Uma vez que estar em algum lugar é uma coisa que só faz sentido para criaturas finitas. Ao contrário disso, o Eterno é. Ele existe para muito além da Criação e de qualquer lugar. E se é assim, nada, nem mesmo a ausência do Templo, nos afasta da presença dEle, e nos impede que O sirvamos diariamente. Mesmo que a ausência do Templo nos impeça de realizarmos, fisicamente, certas ações, ela não nos impede de dedicarmos totalmente o nosso coração a Ele.

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O Servo e a Justiça (Is. 42:1)

הֵן עַבְדִּי אֶתְמָךְ-בּוֹ בְּחִירִי רָצְתָה נַפְשִׁי נָתַתִּי רוּחִי עָלָיו מִשְׁפָּט לַגּוֹיִם יוֹצִיא

“Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça às nações.” (Yeshayahu/Isaías 42:1)

O servo amado, claramente identificado por Yeshayahu (Isaías) como sendo Israel (vide 41:8 e 42:19 em diante), é amado pelo Eterno, e por ele chamado para trazer a justiça do Criador a todos os povos. Contudo, o servo, cuja missão é nobre, precisa primeiramente tratar de abrir os olhos para a Torah, de resgatar sua identidade de nação obediente e reta perante Ele, para que possa cumprir seu desígnio. Muitas vezes queremos muito conduzir outros à verdade do Criador. Para isso, mais importante do que saber falar as palavras corretas, é ser íntegro aos olhos dEle. Ser mais reto aos olhos do Criador é fundamental, para que possamos ser exemplos de transformação de vida.

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Consagração (Lv. 27:14)

וְאִישׁ, כִּי-יַקְדִּשׁ אֶת-בֵּיתוֹ קֹדֶשׁ לַיהוָה–וְהֶעֱרִיכוֹ הַכֹּהֵן בֵּין טוֹב וּבֵין רָע: כַּאֲשֶׁר יַעֲרִיךְ אֹתוֹ הַכֹּהֵן כֵּן יָקוּם

“E quando alguém consagrar a sua casa para ser santa a YHWH, o kohen a avaliará, seja boa ou seja má; como o kohen a avaliar, assim será.” (Wayiqra/Levítico 27:14)

Muitos distorcem o conceito de consagração, acreditando poder consagrar objetos que eles próprios irão utilizar. Na Torah, porém, consagrar objetos significava doá-los ao Eterno, e os objetos eram entregues aos kohanim (sacerdotes) ou resgatados pela avaliação de seu valor. Se desejarmos consagrar algo ao Criador, que sejam nossas próprias vidas, separadas e distintas de toda transgressão, e entregues a servi-Lo a todo tempo. E isso passa por buscar conhecê-Lo, para verdadeiramente fazer a Sua vontade, e não aquilo que achamos ser o certo. Buscar a santidade é um gesto de amor.

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Ritos (Lv. 14:16)

טָבַל הַכֹּהֵן אֶת-אֶצְבָּעוֹ הַיְמָנִית מִן-הַשֶּׁמֶן אֲשֶׁר עַל-כַּפּוֹ הַשְּׂמָאלִית וְהִזָּה מִן-הַשֶּׁמֶן בְּאֶצְבָּעוֹ שֶׁבַע פְּעָמִים לִפְנֵי י–היה

“Então o kohen molhará o seu dedo direito no azeite que está na sua mão esquerda, e daquele azeite com o seu dedo espargirá sete vezes perante YHWH.” (Wayiqra/Levítico 14:16)

Muitos ficam intrigados com determinados ritos, como o acima. Que diferença faz aspergir azeite sete vezes, e não seis? Ou que diferença faz usar o azeite, ou fazer qualquer tipo de aspersão perante Aquele que criou as galáxias? Na realidade, os ritos foram criados para nós, e não para o Criador. O ser humano é muito apegado ao tangível, e sentiria culpa e desconforto sem ações materiais concretas. Acreditar que há poder espiritual inerente ao ato do rito, em si, é descender a um animismo ingênuo, e ao mesmo tempo apequenar o Criador. Ritos são poderosos mecanismos psicológicos, que permitem três coisas: alívio da culpa, concentrar-se na fé, e dar ao homem a oportunidade de ser obediente.

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Submissão (Lv. 10:1)

וַיִּקְחוּ בְנֵי-אַהֲרֹן נָדָב וַאֲבִיהוּא אִישׁ מַחְתָּתוֹ וַיִּתְּנוּ בָהֵן אֵשׁ וַיָּשִׂימוּ עָלֶיהָ קְטֹרֶת; וַיַּקְרִיבוּ לִפְנֵי יהוה אֵשׁ זָרָה–אֲשֶׁר לֹא צִוָּה אֹתָם

“E os filhos de Aharon, Nadav e Avihu, tomaram cada um o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e ofereceram fogo estranho perante YHWH, o que não lhes ordenara.” (Wayiqra/Levítico 10:1)

Uma importante lição que nos ensina a Torah é a de que, se desejamos servir ao Eterno, isso não é feito fazendo o que bem entendemos, e agindo segundo o nosso próprio entendimento. O que é a antítese do que a sociedade ocidental tem ensinado: Cada um faça o que quer, e que sejam todos felizes. A Torah respeita o livre arbítrio, mas se alguém deseja viver em aliança com o Criador, deve passar pela difícil tarefa de submissão não apenas à Sua vontade, como às estruturas que ele nos deixou, como por exemplo os nevi’im (profetas), kohanim (sacerdotes), e os shofetim (juízes) Caso contrário, o ego prevalece, e não estamos servindo ao Eterno de Israel, e sim a um deus criado à nossa imagem e semelhança.

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