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A Sabedoria de Agur (Pv. 30:8)

שָׁוְא וּדְבַר-כָּזָב הַרְחֵק מִמֶּנִּי– רֵאשׁ וָעֹשֶׁר אַל-תִּתֶּן-לִי הַטְרִיפֵנִי לֶחֶם חֻקִּי

“Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume.” (Mishlê/Provérbios 30:8)

A oração de Agur é curiosa. Estamos acostumados a pedir muito, e buscar a prosperidade. Muita gente acha que a oração de Agur é como uma resposta certa numa pergunta de múltipla escolha: Se eu pedir pouco, então o Eterno se agradará e me dará muito! Nada mais equivocado. Na realidade, a oração de Agur demonstra que suas prioridades estavam no lugar certo. Não é o quanto ele pediu, mas sim o que pediu. Agur desejava receber uma porção razoável, para que isso não o afastasse do Eterno. Ele entendia que se pedisse muito, poderia ficar soberbo. E se pedisse pouco, poderia ficar amargurado. Ou seja, no fundo, Agur não está pedindo mantimentos. Ele está pedindo que o Eterno esteja sempre presente, pois para ele era isso que importava. Isso mostra que as prioridades de Agur estavam no lugar certo, e revela grande sabedoria. Muitas vezes nossas orações não são atendidas não porque o Eterno quer que se peça menos, ou mais, mas sim porque aquilo que pedimos pode ser um indício de prioridades equivocadas. Há sabedoria no rever as prioridades, e valorizar aquilo que realmente é importante. A saber, o andar em retidão e o apreciar aqueles que estão à nossa volta, a começar pelo próprio Eterno.

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A Sabedoria do Silêncio (Jó 13:5)

מִי-יִתֵּן הַחֲרֵשׁ תַּחֲרִישׁוּן וּתְהִי לָכֶם לְחָכְמָה

“Quem dera que vos calásseis de todo, pois isso seria a vossa sabedoria.” (Iyov/Jó 13:5)

Quando ouvimos uma pessoa sofrendo, é normal que sintamos necessidade de dizer algo. Seja dizer que vai passar, ou tentar explicar porque estão sofrendo. É importante indagar: Estamos dizendo para benefício da pessoa, ou para nosso próprio benefício? A companhia silenciosa, daquele que não tenta explicar ou julgar, mas tão somente se coloca solidariamente ao lado, tem uma enorme capacidade de curar. Infelizmente, é rara. Porque na maioria das vezes vence a vontade de superar aquele constrangimento ou desconforto de não saber o que fazer ou dizer. Os amigos de Iyov estavam tão incomodados com a possibilidade de alguém sofrer sem motivo, que preferiram buscar mil explicações ou culpar Iyov (Jó) para que sua fantasia de um mundo perfeito não fosse desfeita. E isso tornou as palavras pesadas perante Iyov, que retruca dizendo: Há sabedoria no silêncio. Não o silêncio da indiferença, mas no silêncio intencional, daquele que ora em voz baixa e simplesmente se faz presente no momento da adversidade, como um anjo mensageiro do Criador que vem trazer tão somente paz e repouso.

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A Dor da Sabedoria (Ec. 1:18)

כִּי בְּרֹב חָכְמָה רָב-כָּעַס וְיוֹסִיף דַּעַת יוֹסִיף מַכְאוֹב

“Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor.” (Qohelet/Eclesiastes 1:18)

Como pode existir sabedoria cansativa, e conhecimento que aumenta dor? A resposta está no tipo de conhecimento ou sabedoria. Muitas pessoas acabam, sem querer, se cansando até mesmo de sua própria fé, porque estabelecem com o Criador tão somente um relacionamento que visa sabedoria e providência cotidianas. Preocupam-se com como vão pagar suas contas, como sair de problemas familiares, entre outros. É claro que colocar essas coisas diante do Eterno é importante, mas se essa é a única forma de sabedoria buscada, brevemente ela se torna cansativa. Quando, contudo, nos preocupamos com entender do Eterno como Ele deseja nos usar, e buscamos dEle aquilo que Ele quer nos dar, ao invés de aquilo que nós queremos receber, então nos abrimos para uma sabedoria que é infinita, e que tem muito a iluminar nossas mentes, e fazer arder nossas almas em amor ao Criador.

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Dons e Sabedoria (Ex. 35:10)

וְכָל-חֲכַם-לֵב בָּכֶם יָבֹאוּ וְיַעֲשׂוּ אֵת כָּל-אֲשֶׁר צִוָּה יהוה

“E venham todos os sábios de coração entre vós, e façam tudo o que ADONAY tem mandado.” (Shemot/Êxodo 35:10)

O Eterno concedeu a cada um de nós dons especiais: Uns têm a habilidade de ensinar, outros de confortar; uns oram com facilidade, outros conseguem estudar com mais afinco; uns conseguem organizar grupos, outros são excelentes nos bastidores. Contudo, jamais devemos nos esquecer de que esses dons foram concedidos pelo Criador. Se você pensar que seus dons te tornam independentes dEle, da mesma forma que vieram, esses dons podem desaparecer. Seja grato por tudo que Ele te deu, e Ele te concederá novos dons e experiências. E bendiga a Ele por tudo o que recebeu.

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Presos no Passado? (Ec. 7:10)

אַל-תֹּאמַר מֶה הָיָה–שֶׁהַיָּמִים הָרִאשֹׁנִים הָיוּ טוֹבִים מֵאֵלֶּה כִּי לֹא מֵחָכְמָה שָׁאַלְתָּ עַל-זֶה

“Nunca digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Porque não provém da sabedoria esta pergunta.” (Qohelet/Eclesiastes 7:10)

Pouca gente sabe que esse comportamento é condenado pelas Escrituras. E não são poucos os que acreditam que as coisas estão sempre piorando. Se sua fé está na piora das condições, então essa é a semente que você está plantando para colher mais na frente. E se esse pensamento vem sempre à mente, então isso significa que se está vivendo no passado, e deixando de aproveitar as experiências do presente. Nosso foco deve ser em como viver melhor hoje, e em como buscar o Criador no presente. Não fomos concebidos com a capacidade de vivenciar o passado, ou o futuro. E isso tem um porque: Tais coisas apenas nos fazem perder o foco do que precisamos e devemos fazer neste momento. Solte esse fardo tão pesado que você carrega de não viver no presente, e deixe-o nas mãos do Criador, que tudo vê, e que está no comando de todas as coisas.

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A Luz do Testemunho (1 Rs. 10:9)

יְהִי יהוה אֱלֹהֶיךָ בָּרוּךְ אֲשֶׁר חָפֵץ בְּךָ לְתִתְּךָ עַל-כִּסֵּא יִשְׂרָאֵל–בְּאַהֲבַת יהוה אֶת-יִשְׂרָאֵל לְעֹלָם וַיְשִׂימְךָ לְמֶלֶךְ לַעֲשׂוֹת מִשְׁפָּט וּצְדָקָה

“Bendito seja ADONAY teu Elohim, que teve agrado em ti, para te pôr no trono de Israel; porque ADONAY ama a Israel para sempre, por isso te estabeleceu rei, para fazeres juízo e justiça.” (Melakhim Alef/1 Reis 10:9)

A rainha de Sabá escutou falar acerca da sabedoria de Shelomô (Salomão), e veio vê-la de perto. Ao contemplar o conhecimento e as obras do rei, proferiu a bênção acima registrada. As palavras e atitudes do rei foram suficientes para que ela pudesse testemunhar acerca de tudo que o Eterno havia feito a Israel. Há quem empregue grande esforço em tentar convencer terceiros acerca do Eterno, ou mesmo de sua incomparável unicidade. A melhor forma de testificar acerca do Eterno, contudo, é através de palavras e atitudes de sabedoria. Se concentrarmos nossos esforços em sermos pessoas melhores diante dos caminhos dEle, e em nosso tratamento para com o próximo, então a luz do Eterno poderá ser vista refletida por nossas almas.

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Conflito e Paz (Dt. 20:10)

כִּי-תִקְרַב אֶל-עִיר לְהִלָּחֵם עָלֶיהָ–וְקָרָאתָ אֵלֶיהָ לְשָׁלוֹם

“Quando te achegares a alguma cidade para combatê-la, apregoar-lhe-ás a paz.” (Debharim/Deuteronômio 20:10)

Mesmo em situação de guerra, a Torá determina que primeiramente se esgotem as possibilidades relativas à paz. Analogamente, há situações em nossas vidas nas quais as soluções pacíficas se tornam inviáveis. No entanto, devemos esgotar primeiro todas as possibilidades de solução pacífica. Entregar-se à contenda de imediato pode ser precipitado, se antes não tentarmos uma via não-conflituosa. Há momentos em que precisamos ser firmes e nos defendermos perante um conflito. Porém, buscar primeiro a paz é uma grande virtude.

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Fonte Inesgotável de Bênçãos (Ex. 18:24)

וַיִּשְׁמַע מֹשֶׁה לְקוֹל חֹתְנוֹ וַיַּעַשׂ כֹּל אֲשֶׁר אָמָר

“E Moshe deu ouvidos à voz de seu sogro, e fez tudo quanto tinha dito.” (Shemot/Êxodo 18:24)

Mesmo sendo alguém com quem o Eterno falava diretamente, Moshe (Moisés) deu ouvidos ao seu sogro. Humilde, Moshe sabia reconhecer que toda pessoa é capaz de nos ensinar alguma coisa. Desde os tempos de Moshe, os sábios procuravam reconhecer e adquirir conhecimento das mais variadas fontes e pessoas. Entendendo que todo conhecimento disponibilizado pelo Criador adiante de nós é uma fonte inesgotável de bênçãos. Saiba reconhecer a sabedoria daqueles em torno, e certamente serás capaz de melhor aproveitar esse maravilhoso presente que o Eterno nos concede. Para isso, é preciso deixar de lado o ego, e emular a humildade de Moshe.

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Sabedoria no Parar (Ex. 10:29)

וַיֹּאמֶר מֹשֶׁה כֵּן דִּבַּרְתָּ לֹא-אֹסִף עוֹד רְאוֹת פָּנֶיךָ

“E disse Moshe: Bem disseste; eu nunca mais verei o teu rosto.” (Shemot/Êxodo 10:29)

Houve um momento em que não era mais possível, nem mesmo produtivo, dialogar com Faraó. Por essa razão, Moshe (Moisés) não insistiu. É sempre muito importante saber a hora de parar. Moshe buscou uma saída conciliatória, esperou, e se esforçou até o fim. Porém, há um momento em que insistir é inútil, e só trará frustração. Reconhecer quando esse momento chega, e não ter medo de dar um basta, é um fundamento de sabedoria, que precisamos colocar em prática. Não é fácil, mas é extremamente necessário.

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Sabedoria e Temor (Dt. 1:13)

הָבוּ לָכֶם אֲנָשִׁים חֲכָמִים וּנְבֹנִים וִידֻעִים לְשִׁבְטֵיכֶם וַאֲשִׂימֵם בְּרָאשֵׁיכֶם

“Tomai-vos homens sábios, entendidos e experimentados, segundo as vossas tribos, e eu os porei como cabeças sobre vós.” (Devarim/Deuteronômio 1:13)

Um dos segredos para a boa observância da Torah é buscar sempre pessoas sábias e entendidas para que possam ajudar em todas as questões. Aquele que depende unicamente de si corre o risco de sempre interpretar a Escritura a seu favor, e assim privar a Torah de poder exercer a transformação de vida que é tão necessária para que andemos em retidão. Buscar o caminho dos sábios é certificar-se de que não estamos nos iludindo, e desenvolvendo uma aparência de obediência, ao invés de um verdadeiro temor ao Eterno.

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