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O Pecado do Outro (Dt. 24:16)

לֹא-יוּמְתוּ אָבוֹת עַל-בָּנִים וּבָנִים לֹא-יוּמְתוּ עַל-אָבוֹת אִישׁ בְּחֶטְאוֹ יוּמָתוּ

“Os pais não morrerão pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada um morrerá pelo seu pecado.” (Debharim/Deuteronômio 24:16)

O versículo acima é muito utilizado na teologia judaica, para uma série de coisas. No entanto, existe ainda também um ensinamento que pode passar despercebido numa leitura mais desatenta: Se ninguém é responsabilizado pelo pecado de outra pessoa, então isso significa que também não podemos nos justificar utilizando por base as ações do outro. A Torá ensina que somos responsáveis por nossas escolhas. Sem subterfúgios. Sem mais, nem menos. Assumir essa responsabilidade é fundamental para que possamos crescer espiritualmente, e aprimorarmos nossos atos diante do Criador.

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Responsabilidade pelos Atos (Ex. 22:6)

כִּי-תֵצֵא אֵשׁ וּמָצְאָה קֹצִים וְנֶאֱכַל גָּדִישׁ אוֹ הַקָּמָה אוֹ הַשָּׂדֶה–שַׁלֵּם יְשַׁלֵּם, הַמַּבְעִר אֶת-הַבְּעֵרָה

“Se irromper um fogo, e pegar nos espinhos, e queimar a meda de trigo, ou a seara, ou o campo, aquele que acendeu o fogo totalmente pagará o queimado.” (Shemot/Êxodo 22:6)

Um dos ensinamentos mais preciosos da Torá pode ser extraído a partir desse versículo: a responsabilidade pela consequência de seus atos. Muitas pessoas acham que só são responsáveis se elas desejavam que o ato tivesse uma consequência. Seria como alguém dizer: Acendi o fogo, mas não era minha intenção que o campo inteiro pegasse fogo, foi um acidente. Proposital ou não, um servo do Eterno sempre deve assumir as responsabilidades de seus atos e, inclusive, buscar a reparação quando isso se fizer necessário.

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Porque o Eterno se Afasta (Gn. 3:12)

וַיֹּאמֶר הָאָדָם הָאִשָּׁה אֲשֶׁר נָתַתָּה עִמָּדִי הִוא נָתְנָה-לִּי מִן-הָעֵץ וָאֹכֵל

“Então disse Adam: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.” (Bereshit/Gênesis 3:12)

Aqui começa o ciclo de empurrar a culpa. O homem acusa a mulher de ter lhe dado o fruto para comer. A mulher acusa a serpente. Para este autor, dentro da narrativa poética do Eden, foi isso, e não o pecado em si, que levou à expulsão dos dois do paraíso. Como poderia o Eterno perdoar, se o casal não fez o básico, que era assumir o próprio erro? Sem haver consciência do próprio erro, não há arrependimento. Sem arrependimento, não há teshuvá (retorno). Muitas vezes, é mais difícil vencer o próprio orgulho e assumir o erro do que corrigi-lo. Não é o ato de errar que nos afasta da presença do Eterno. Mas, principal e fundamentalmente, a arrogância de fingir que se está certo, de culpar terceiros, e de calar a voz da própria consciência, que o Eterno nos deu como instrumento para nos manter no caminho. Vença isso, e o seu relacionamento com Ele jamais será distante.

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Responsabilidade e Exemplo (Nm. 20:12)

וַיֹּאמֶר יהוה אֶל-מֹשֶׁה וְאֶל-אַהֲרֹן יַעַן לֹא-הֶאֱמַנְתֶּם בִּי לְהַקְדִּישֵׁנִי לְעֵינֵי בְּנֵי יִשְׂרָאֵל–לָכֵן לֹא תָבִיאוּ אֶת-הַקָּהָל הַזֶּה אֶל-הָאָרֶץ אֲשֶׁר-נָתַתִּי לָהֶם

“E YHWH disse a Moshe e a Aharon: Porquanto não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis esta congregação na terra que lhes tenho dado.” (Bamidbar/Números 20:12)

Este é um dos episódios mais tristes da Torah. Moshe (Moisés), o maior expoente da fé judaica, acaba sendo impedido de entrar na terra da promessa. Moshe (Moisés) finalmente foi afetado pela incredulidade e rebeldia do povo. Moshe (Moisés) acaba por nos ensinar uma preciosa lição, mesmo que o preço para ele seja alto: Não só ninguém está livre de tropeçar, como também quanto mais conhecimento temos, mais o Eterno espera de nós que sejamos um exemplo de santidade para os demais. Aquele que busca mais do Eterno deve estar preparado também para maiores cobranças.

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Libertando-se dos Espíritos (Nm. 5:14)

עָבַר עָלָיו רוּחַ-קִנְאָה וְקִנֵּא אֶת-אִשְׁתּוֹ וְהִוא נִטְמָאָה אוֹ-עָבַר עָלָיו רוּחַ-קִנְאָה וְקִנֵּא אֶת-אִשְׁתּוֹ וְהִיא לֹא נִטְמָאָה

“se o espírito de ciúmes vier sobre ele, e de sua mulher tiver ciúmes, por ela se haver contaminado, ou se sobre ele vier o espírito de ciúmes, e de sua mulher tiver ciúmes, mesmo que ela não se tenha contaminado.” (Bamidbar/Números 5:14)

Existe uma razão pela qual o Tanakh jamais prescreveu qualquer tipo de exorcismo: “espíritos” não são criaturas, mas sim forças que nos impulsionam a agir numa direção. Neste caso, uma das forças mais difíceis de serem controladas: a do ciúmes. Ao invés de culpar supostas entidades externas, a maneira correta de lidar com tais forças é aprendendo a controlá-las, e aprendendo a evitar causá-las nos outros. Buscar culpados externos é a saída fácil. Reconhecer nossas tendências, fraquezas e impulsos, buscando transformação e nos responsabilizando por nossos piores atos é bem mais difícil, porém é uma experiência verdadeiramente libertadora.

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Alcançando Destaque (Ez. 31:2)

בֶּן-אָדָם אֱמֹר אֶל-פַּרְעֹה מֶלֶךְ-מִצְרַיִם וְאֶל-הֲמוֹנוֹ: אֶל-מִי דָּמִיתָ בְגָדְלֶךָ

“Filho do homem, dize a Faraó, rei do Egito, e à sua multidão: A quem és semelhante na tua grandeza?” (Yehezqel/Ezequiel 31:2)

Frequentemente, em Yehezqel, observa-se que os reis das nações eram descritos como elevados e gloriosos, mas é dito que o Eterno lhes traria a ruína. Se o maior erro de quem está em destaque e o orgulho, que pode chegar a fazer a pessoa se sentir acima do bem e do mal, então a maior virtude de uma pessoa em destaque é a humildade. Aquele, portanto, que deseja que o Eterno o encaminhe a uma posição de destaque deve, antes, se esforçar para trabalhar o seu orgulho pessoal, e buscar aprender a ser humilde e temente ao Criador. Só então estará pronto para realizar grandes coisas.

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Responsabilidade pelos Erros (Ez. 18:20)

הַנֶּפֶשׁ הַחֹטֵאת הִיא תָמוּת: בֵּן לֹא-יִשָּׂא בַּעֲו‍ֹן הָאָב וְאָב לֹא יִשָּׂא בַּעֲו‍ֹן הַבֵּן–צִדְקַת הַצַּדִּיק עָלָיו תִּהְיֶה וְרִשְׁעַת הָרָשָׁע עָלָיו תִּהְיֶה

“A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele.” (Yehezqel/Ezequiel 18:20)

Ao ser inquirido pelo profeta, o Eterno afirma que não irá responder ao povo, por causa dos ídolos de seus corações. A idolatria não se restringe a um objeto, e pode ser bem mais sutil do que se curvar a imagens. Qualquer atribuição de poder espiritual a, e busca de, poderes supostamente celestes que não sejam o próprio Eterno incorre em idolatria. E a idolatria é um dos pecados menos tolerados pelo Criador dos céus e da terra. O relacionamento com o Eterno, sob esse aspecto, é tudo ou nada: Ou é somente Ele, ou não existe.

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Boatos e Rumores (Ex. 23:1)

לֹא תִשָּׂא שֵׁמַע שָׁוְא אַל-תָּשֶׁת יָדְךָ עִם-רָשָׁע לִהְיֹת עֵד חָמָס

“Não admitirás falso boato, e não porás a tua mão com o ímpio, para seres testemunha falsa.” (Shemot/Êxodo 23:1)

“O problema das citações na Internet é que a maioria delas é falsa e anacrônica” —Abraham Lincoln. Obviamente, a citação de Lincoln é uma piada acerca do fato de como a Internet propaga falsidades de forma absurda. Infelizmente, a maioria das pessoas – mesmo as de bem – pouco se preocupa em investigar as fontes dos rumores, notícias e boatos que ouvem. Especialmente aqueles que dizem respeito a pessoas. Esta é uma importante miswah (mandamento) da Torah, e se há erro quanto a isso, ele deve ser corrigido imediatamente, pois admitir e transmitir falsos boatos e notícias pode ser algo extremamente nocivo. Pessoas são feridas, relacionamentos se desfazem, e até mesmo empresas fecham e pessoas perdem seus empregos. O fato de muitas vezes não vermos o mal que estamos causando não significa que ele não exista, nem que não tenhamos responsabilidade pela sua propagação. Aquele que serve ao Eterno precisa ser muito cuidadoso com o que passa adiante. Dizer que não sabia que algo é mentira não é pretexto. Todo aquele que transmite uma informação se torna cúmplice dela.

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Bênçãos (2 Sm. 7:14)

אֲנִי אֶהְיֶה-לּוֹ לְאָב וְהוּא יִהְיֶה-לִּי לְבֵן–אֲשֶׁר בְּהַעֲו‍ֹתוֹ וְהֹכַחְתִּיו בְּשֵׁבֶט אֲנָשִׁים וּבְנִגְעֵי בְּנֵי אָדָם

“Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens.” (Shemuel Bet/2 Samuel 7:14)

Shelomoh (Salomão) foi abençoado pelo Eterno desde antes de nascer, com o compromisso de que o Eterno o trataria como um pai trata um filho. Porém, essa bênção também veio com uma responsabilidade. O Eterno também o puniria, como um pai faz a um filho que se desvia do bom caminho. Todos nós buscamos bênçãos do Eterno, mas não há bênção que venha sem uma responsabilidade de administrarmos aquilo que de bom o Eterno nos concede. Nossa resposta a esse chamado à responsabilidade determinará se estamos prontos ou não para bênçãos maiores.

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Responsabilidade e Justiça (1 Sm. 12:7)

וְעַתָּה הִתְיַצְּבוּ וְאִשָּׁפְטָה אִתְּכֶם–לִפְנֵי יְהוָה: אֵת כָּל-צִדְקוֹת יְהוָה אֲשֶׁר-עָשָׂה אִתְּכֶם וְאֶת-אֲבוֹתֵיכֶם

“Agora, pois, ponde-vos aqui em pé, e pleitearei convosco perante YHWH, sobre todos os atos de justiça de YHWH, que fez a vós e a vossos pais.” (Shemuel Alef/1 Samuel 12:7)

O povo de Israel estava angustiado por causa da pressão de seus inimigos. Em sua angústia, o povo estava perplexo. Nesse momento, Shemuel (Samuel) promove uma reflexão sobre a retidão do Eterno em Seu agir, sobre a iniquidade das ações do povo. Antes de nos indagarmos porque o Eterno tem permitido que algum mal caia sobre nós, devemos procurar nos recordar dos momentos em que Ele foi fiel e nos abençoou. E se hoje estamos em situação adversa, o que será que nos tirou da condição de sermos abençoados? Antes de buscar responsabilizar o Eterno, devemos olhar para nós mesmos.

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