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A Sabedoria de Agur (Pv. 30:8)

שָׁוְא וּדְבַר-כָּזָב הַרְחֵק מִמֶּנִּי– רֵאשׁ וָעֹשֶׁר אַל-תִּתֶּן-לִי הַטְרִיפֵנִי לֶחֶם חֻקִּי

“Afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume.” (Mishlê/Provérbios 30:8)

A oração de Agur é curiosa. Estamos acostumados a pedir muito, e buscar a prosperidade. Muita gente acha que a oração de Agur é como uma resposta certa numa pergunta de múltipla escolha: Se eu pedir pouco, então o Eterno se agradará e me dará muito! Nada mais equivocado. Na realidade, a oração de Agur demonstra que suas prioridades estavam no lugar certo. Não é o quanto ele pediu, mas sim o que pediu. Agur desejava receber uma porção razoável, para que isso não o afastasse do Eterno. Ele entendia que se pedisse muito, poderia ficar soberbo. E se pedisse pouco, poderia ficar amargurado. Ou seja, no fundo, Agur não está pedindo mantimentos. Ele está pedindo que o Eterno esteja sempre presente, pois para ele era isso que importava. Isso mostra que as prioridades de Agur estavam no lugar certo, e revela grande sabedoria. Muitas vezes nossas orações não são atendidas não porque o Eterno quer que se peça menos, ou mais, mas sim porque aquilo que pedimos pode ser um indício de prioridades equivocadas. Há sabedoria no rever as prioridades, e valorizar aquilo que realmente é importante. A saber, o andar em retidão e o apreciar aqueles que estão à nossa volta, a começar pelo próprio Eterno.

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Prioridades (Ex. 1:19)

וַתֹּאמַרְןָ הַמְיַלְּדֹת אֶל-פַּרְעֹה כִּי לֹא כַנָּשִׁים הַמִּצְרִיֹּת הָעִבְרִיֹּת כִּי-חָיוֹת הֵנָּה בְּטֶרֶם תָּבוֹא אֲלֵהֶן הַמְיַלֶּדֶת וְיָלָדוּ

“E as parteiras disseram a Faraó: É que as mulheres hebréias não são como as egípcias; porque são vivas, e já têm dado à luz antes que a parteira venha a elas.” (Shemot/Êxodo 1:19)

No episódio acima, as parteiras egípcias mentiram para faraó, enganando-o quanto à razão pela qual deixaram viver as crianças. E, no entanto, foram abençoadas pelo Eterno. Isso demonstra que na Torá há uma escala de valores. Embora mentir não seja algo positivo, muito pior seria permitir o assassinato de crianças. Os valores da Torá nem sempre são simplesmente faça ou não faça. Há que se estar atento pois há coisas que têm prioridade sobre outras. Quando duas coisas entram em conflito, é importante saber qual delas priorizar. Esse entendimento muitas vezes pode ser a diferença entre um justo e um fanático. Por essa razão, a reflexão constante sobre as Escrituras é fundamental.

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