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Festa e Pecado? (Ez. 45:22)

וְעָשָׂה הַנָּשִׂיא בַּיּוֹם הַהוּא בַּעֲדוֹ וּבְעַד כָּל-עַם הָאָרֶץ–פַּר חַטָּאת

“E no mesmo dia o príncipe preparará por si e por todo o povo da terra, um bezerro como oferta pelo pecado.” (Ye’hezqel/Ezequiel 45:22)

Imediatamente após falar sobre a celebração do Pessa’h (Páscoa), o profeta Ye’hezqel (Ezequiel) afirma que o príncipe, entendido por alguns como o Sumo Sacerdote e por outros como o Rei da dinastia de Dawid, faria uma oferta por seu pecado, e pelo pecado do povo. Por que a menção ao pecado justamente no momento de uma comemoração tão alegre? Alguns comentaristas afirmam que a menção ao pecado é para que a festa não nos impeça de ficar em alerta. É fácil tomar ciência do pecado quando se está triste e abatido, mas lembramos disso quando estamos alegres? A lembrança do pecado não precisa estragar a festividade. Mas ela serve como uma meta; um memorial de que nunca devemos parar de buscar evoluirmos, e progredirmos diante do Criador.

© 5776 – Qol haTorá (www.qol-hatora.org) – Permitida a reprodução se os créditos forem mantidos.

Um PessaH Especial (2 Rs. 23:22)

כִּי לֹא נַעֲשָׂה כַּפֶּסַח הַזֶּה מִימֵי הַשֹּׁפְטִים אֲשֶׁר שָׁפְטוּ אֶת-יִשְׂרָאֵל וְכֹל יְמֵי מַלְכֵי יִשְׂרָאֵל–וּמַלְכֵי יְהוּדָה

“Porque nunca se celebrou tal Pessa’h como esta desde os dias dos juízes que julgaram a Israel, nem em todos os dias dos reis de Israel, nem tampouco dos reis de Yehudá.” (Melakhim Bet/2 Reis 23:22)

O que fez esse Pessa’h (Páscoa) ser tão especial? Quando se observa o contexto deste capítulo, é possível perceber que Yoshiyahu (Josias) realizou uma profunda obra de reconduzir o povo ao Eterno, numa época em que Israel estava perdido em meio à idolatria. Nada há que possa tornar o Pessa’h mais especial do que o encontro do Eterno com os seus servos. Há quem pense que jantares exuberantes possam tornar a comemoração mais elevada. Ledo engano! A melhor maneira de celebrar é voltando os corações para o Criador, em alegria e júbilo porque Ele é por nós. Mesmo a mais singela festividade se elevará aos céus, caso aqueles que a realizam tenham por compromisso buscar a face do Altíssimo.

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Valores (Especial Semana dos Ázimos)

וְהִגַּדְתָּ לְבִנְךָ בַּיּוֹם הַהוּא לֵאמֹר בַּעֲבוּר זֶה עָשָׂה יְהוָה לִי בְּצֵאתִי מִמִּצְרָיִם

“E naquele mesmo dia farás saber a teu filho, dizendo: Isto é pelo que YHWH me tem feito, quando eu saí do Egito.” (Shemot/Êxodo 13:8)

Um dos principais objetivos da festa dos ázimos é fazer com que cada nova geração do povo se sinta conectado aos eventos ocorridos à saída do Egito. Transmitir a nossa herança não é apenas uma questão de fé. É também uma transmissão de valores e de uma identidade. Isso indica o quanto é importante que os mais estejam presentes no crescimento dos filhos, para estabelecer esse vínculo com o povo e com a Torah. Pois os valores da Torah contribuem para a formação de uma identidade, e de um caráter íntegro perante o Criador.

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Limpeza (Especial para PessaH)

שִׁבְעַת יָמִים מַצּוֹת תֹּאכֵלוּ–אַךְ בַּיּוֹם הָרִאשׁוֹן תַּשְׁבִּיתוּ שְּׂאֹר מִבָּתֵּיכֶם כִּי כָּל-אֹכֵל חָמֵץ וְנִכְרְתָה הַנֶּפֶשׁ הַהִוא מִיִּשְׂרָאֵל–מִיּוֹם הָרִאשֹׁן עַד-יוֹם הַשְּׁבִעִי

“Sete dias comereis pães ázimos; ao primeiro dia tirareis o fermento das vossas casas; porque qualquer que comer pão levedado, desde o primeiro até ao sétimo dia, aquela alma será cortada de Israel.” (Shemot/Êxodo 12:15)

Durante a limpeza do hames (levedado), em preparação para a Semana dos Ázimos, nos deparamos com coisas que há muito estavam guardadas, e que já não tem nenhuma utilidade. Às vezes, temos até tristeza de nos desfazermos de certas coisas, mas é necessário, para que possamos celebrar a festa com alegria. Isso reflete também a realidade de nossas vidas. Há coisas guardadas, levedadas e azedadas, que precisamos ter a coragem de deixar para trás. O medo de jogá-las fora pode nos deixar mais infelizes do que se tentarmos nos agarrar a ela. Aproveitemos a época, e limpemos não apenas as nossas dispensas, mas também o mais profundo de nossos corações. Joguemos fora o que é velho, para que o novo possa surgir.

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Gratidão e Humildade (Especial para PessaH)

לֹא-תֹאכַל עָלָיו חָמֵץ שִׁבְעַת יָמִים תֹּאכַל-עָלָיו מַצּוֹת לֶחֶם עֹנִי כִּי בְחִפָּזוֹן, יָצָאתָ מֵאֶרֶץ מִצְרַיִם–לְמַעַן תִּזְכֹּר אֶת-יוֹם צֵאתְךָ מֵאֶרֶץ מִצְרַיִם כֹּל יְמֵי חַיֶּיךָ

“Nela não comerás levedado; sete dias nela comerás pães ázimos, pão da miséria (porquanto apressadamente saíste da terra do Egito), para que te lembres do dia da tua saída da terra do Egito, todos os dias da tua vida.” (Devarim/Deuteronômio 16:3)

Por que nos lembrarmos da aflição e da miséria por todos os dias de nossas vidas? Há dois motivos básicos: Um deles é a gratidão ao Criador, pelo que Ele fez, que deve ser constante e sempre presente. O outro é o fato de que o sofrimento normalmente nos suaviza, e nos torna mais humanos, e menos orgulhosos. Gratidão e humildade são duas características fundamentais para que possamos ser luz aonde quer que formos, não apenas nos tempos difíceis, mas também no melhor da terra da promessa.

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