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Quando o Outro Mente (Gn. 12:18)

וַיִּקְרָא פַרְעֹה לְאַבְרָם וַיֹּאמֶר מַה-זֹּאת עָשִׂיתָ לִּי לָמָּה לֹא-הִגַּדְתָּ לִּי כִּי אִשְׁתְּךָ הִוא

“Então chamou Faraó a Abram, e disse: Que é isto que me fizeste? Por que não me disseste que ela era tua mulher?” (Bereshit/Gênesis 12:18)

Faraó tinha todos os motivos para estar aborrecido com Abram (Abrão). Afinal, ele havia dito que Sará era sua irmã, e não sua esposa, e o havia enganado. Porém, Abram não fez tal coisa por mal, mas sim por temer por sua vida. Semelhantemente, é possível que pessoas ao nosso redor omitam, ou mesmo mintam a respeito de determinadas situações por medo de dizerem a verdade, e não por quererem o nosso mal. Embora isso não seja um comportamento adequado, é importante agir com misericórdia, tal como faraó fez com Abram. Nossos medos podem nos fazer tropeçar, e reconhecermos nossas falhas é importante, para que sejamos misericordiosos quando estamos diante de outra pessoa.

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O Dia Seguinte (Ec. 3:1)

לַכֹּל זְמָן וְעֵת לְכָל-חֵפֶץ תַּחַת הַשָּׁמָיִם

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.” (Qohelet/Eclesiastes 3:1)

Muitos vêem o ápice do processo de arrependimento e de perdão como sendo o Yom haKipurim (Dia das Expiações), ocorrido ontem. No entanto, o ápice começa a ocorrer justamente no dia seguinte. O processo de introspecção, reflexão, arrependimento, expressão de tristeza e pedido de perdão perante o Eterno é preciosíssimo. Com uma condição. O Eterno nos convida não a nos arrependermos, mas ao retorno (teshubhá). E o que é o retorno, senão uma mudança de atitude. Agora que refletimos sobre nossos pecados, nos humilhamos e pedimos o perdão, o que faremos no dia seguinte? Que ações concretas tomaremos para que, no ano seguinte, não estejamos pedindo perdão exatamente pelas mesmas coisas? O rito expiatório é muito mais importante para o ser humano se sentir perdoado, do que para o Eterno perdoar. E o que Ele deseja de nós, senão que o rito seja acompanhado de mudança de vida? Se tudo tem seu tempo determinado, como diz Qohelet, então é possível dizer que o dia seguinte ao Yom haKipurim marca o início do tempo de mudança. É tempo de mudar radicalmente, para melhor.

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Obtendo o Perdão (Is. 43:25)

אָנֹכִי אָנֹכִי הוּא מֹחֶה פְשָׁעֶיךָ לְמַעֲנִי וְחַטֹּאתֶיךָ לֹא אֶזְכֹּר

“Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de Mim, e dos teus pecados não me lembro.” (Yeshayahu/Isaías 43:25)

Aproximamo-nos do Dia das Expiações (Yom haKipurim), no qual buscamos o perdão do Eterno por nossas falhas e transgressões. Nessa data, jejuamos, oramos, e com o coração contrito e pesado, expomos a Ele nossas dificuldades. No entanto, é importante ter o versículo acima em mente. O Eterno nos perdoa por amor dEle próprio. Isto é, por sua infinita misericórdia e fidelidade, Ele olha para nossas falhas amorosamente e apaga nossas transgressões. Não transformemos o perdão do Eterno em ritual de simpatia, nos perguntando se oramos o suficiente, se jejuamos o suficiente, se fomos bons o suficiente em algum rito ou prática, de modo que Ele venha a nos enxergar. Cuidemos tão somente de cultivar um coração contrito, e um propósito de mudança. O rito existe para facilitar nos concentrarmos em nossas intenções, e não como régua para nos medir. O perdão vem por amor dEle, a todo aquele que perante Ele se arrepende.

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Obstáculos ao Serviço (Ex. 5:2)

וַיֹּאמֶר פַּרְעֹה–מִי יהוה אֲשֶׁר אֶשְׁמַע בְּקֹלוֹ לְשַׁלַּח אֶת-יִשְׂרָאֵל לֹא יָדַעְתִּי אֶת-יהוה וְגַם אֶת-יִשְׂרָאֵל לֹא אֲשַׁלֵּחַ

“Mas Faraó disse: Quem é ADONAY, cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? Não conheço ADONAY, nem tampouco deixarei ir Israel.” (Shemot/Êxodo 5:2)

A dificuldade acima relatada, pela qual Moshe (Moisés) perante faraó, era semelhante à que enfrentamos em algumas ocasiões: Queremos servir o Eterno, mas esbarramos em situações de dificuldade, por causa de pessoas que não reconhecem a soberania do Eterno. Assim como Moshe (Moisés) se angustiou no princípio de sua missão, isso também nos angustia. A resposta, contudo, não está em buscar descobrir o que fazer, mas sim em confiar no Criador. Mantenha-se fiel a Ele, e Ele cuidará dos obstáculos, para nos trazer cada vez mais próximos ao Seu serviço. A jornada não termina diante do primeiro obstáculo. Nem mesmo do segundo.

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O Fogo do Altar (Lv. 6:6)

אֵשׁ תָּמִיד תּוּקַד עַל-הַמִּזְבֵּחַ–לֹא תִכְבֶּה

“O fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará.” (Wayiqrá/Levítico 6:6)

O fogo do altar estar continuamente aceso tinha um simbolismo forte. Era sobre o fogo que o Eterno aceitava os sacrifícios do povo, fossem eles de gratidão ou de pedido de perdão. Há quem acredite que, se acabou de pecar, se sua vida não está totalmente perfeita, ou se ainda há sentimentos ruins dentro de si, não pode se aproximar ao Eterno. Não pode buscar dEle o perdão, a misericórdia ou expressar sua gratidão. Todavia, o altar está sempre aceso. O Eterno jamais se nega a recepcionar aquele cujo coração deseja buscá-lo. Antes de pensar que é necessário aguardar um tempo, lembre-se: O tempo é algo criado, e portanto o Eterno não está sujeito a ele. Busque-O sempre que seu coração estiver direcionado a Ele, pois Ele não te abandonou.

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Misericórdia e Possibilidade (Nm. 35:6)

וְאֵת הֶעָרִים אֲשֶׁר תִּתְּנוּ לַלְוִיִּם אֵת שֵׁשׁ-עָרֵי הַמִּקְלָט אֲשֶׁר תִּתְּנוּ לָנֻס שָׁמָּה הָרֹצֵחַ וַעֲלֵיהֶם תִּתְּנוּ אַרְבָּעִים וּשְׁתַּיִם עִיר

“Das cidades, pois, que dareis aos lewiyim, haverá seis cidades de refúgio, as quais dareis para que o homicida ali se acolha; e, além destas, lhes dareis quarenta e duas cidades.” (Bamidbar/Números 35:6)

A cidade dos lewiyim (levitas) era uma oportunidade para que até mesmo um homicida pudesse ter uma mudança de vida. A Torah nos ensina que o Eterno, em sua infinita misericórdia, oferece todas as oportunidades antes de exercer juízo. Assim também deve ser conosco. Antes de tomarmos medidas extremas, é preciso ter a certeza de que não há outra alternativa. Certamente há momentos em que a posição firme se faz necessária. Mas, cabe a reflexão: Será que realmente todas as possibilidades foram esgotadas?.

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Oportunidade (Gn 50:19)

וַיֹּאמֶר אֲלֵהֶם יוֹסֵף אַל-תִּירָאוּ: כִּי הֲתַחַת אֱלֹהִים אָנִי

“E Yossef lhes disse: Não temais; porventura estou eu em lugar de Elohim?” (Bereshit/Gênesis 50:19)

O mundo dá voltas, e é possível que a pessoa que hoje te maltratou esteja amanhã à sua mercê. Isso aconteceu com Yossef (José), que não se aproveitou de uma situação de superioridade para maltratar os irmãos. Nossas atitudes quando estamos por cima podem ter influência sobre se o Eterno irá ou não nos ajudar a galgar posições. O Eterno deseja que vejamos o estar por cima como uma oportunidade para serví-Lo, e não para executarmos nossa ira vingativa.

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Misericórdia (Gn. 18:32)

וַיֹּאמֶר אַל-נָא יִחַר לַאדֹנָי, וַאֲדַבְּרָה אַךְ-הַפַּעַם–אוּלַי יִמָּצְאוּן שָׁם, עֲשָׂרָה; וַיֹּאמֶר לֹא אַשְׁחִית, בַּעֲבוּר הָעֲשָׂרָה

“Disse mais: Ora, não se ire YHWH, que ainda só mais esta vez falo: Se porventura se acharem ali dez? E disse: Não a destruirei por amor dos dez.” (Bereshit/Gênesis 18:32)

Frequentemente no Tanakh, o Eterno tem misericórdia do ímpio, por amor do justo. Como no exemplo do diálogo acima. Se em Sedom houvesse dez justos, o Eterno teria poupado a cidade. Muitas vezes, não compreendemos porque o Eterno desperta uma pessoa, em meio a uma família inteira. Se isso ocorre com você, não se entristeça, pois pode ser que por amor de ti, o Eterno, o Senhor do Perdão, tenha misericórdia daqueles que contigo estão.

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Perdão (Especial Selichot)

“Mas se o ímpio se converter de todos os pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e proceder com retidão e justiça, certamente viverá; não morrerá.” (Yechezkel/Ezequiel 18:21)

Muitas religiões prescrevem crenças, ritos ou elaboram até passos e etapas sobre como obter o perdão dos céus. Insistem que sem seus dogmas, ninguém é capaz de obter perdão. No entanto, a revelação que o Eterno deu aos profetas de Israel é bem mais simples: Arrependa-se, e você é perdoado. Arrepender-se não é sentir culpa, e sim agir de modo a tornar-se uma pessoa melhor; é tratar o pecado e procurar viver em integridade. Todo aquele que é sincero nesse processo é automaticamente perdoado pelo Eterno, e seus pecados são esquecidos.

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Importância (Especial Selichot)

“E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” (Divrei haYamim/2 Crônicas 7:14)

A convocação que o Eterno faz para o que o povo de Israel se arrependa é um tema comum nas Escrituras. Porém, neste trecho em particular, o Eterno começa afirmando que o povo de Israel é chamado pelo Seu Nome. Isso mostra a importância do povo e o carinho do Eterno para conosco. Muitos têm receio de admitirem seus erros, porque no fundo temem ser rejeitados, ou punidos. Porém, se o Eterno nos convida ao arrependimento, é porque Ele nos ama, e se entristece de estar afastado de nós. Nada mais Ele deseja do que nos receber de volta em Sua presença.

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