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Como o Eterno vai olhar pra mim? (Sl. 103:10)

לֹא כַחֲטָאֵינוּ עָשָׂה לָנוּ וְלֹא כַעֲו‍ֹנֹתֵינוּ גָּמַל עָלֵינוּ

“Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniquidades.” (Tehilim/Salmos 103:10)

Muitas pessoas estão habituadas a achar que o Eterno olha para elas e vê o pecado. Se isso fosse verdade, teríamos que supor que o Eterno não é capaz de ver além de certo ponto. Na realidade, o Eterno vê o todo. Ele vê suas falhas, mas também vê as dificuldades que você tem mesmo quando tenta acertar. E vê, acima de tudo, o seu potencial de desenvolvimento. É importante deixar de lado a vergonha de se apresentar diante dEle e, ao invés disso, buscar a resposta dEle à seguinte pergunta: Como posso melhorar?

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Festa e Pecado? (Ez. 45:22)

וְעָשָׂה הַנָּשִׂיא בַּיּוֹם הַהוּא בַּעֲדוֹ וּבְעַד כָּל-עַם הָאָרֶץ–פַּר חַטָּאת

“E no mesmo dia o príncipe preparará por si e por todo o povo da terra, um bezerro como oferta pelo pecado.” (Ye’hezqel/Ezequiel 45:22)

Imediatamente após falar sobre a celebração do Pessa’h (Páscoa), o profeta Ye’hezqel (Ezequiel) afirma que o príncipe, entendido por alguns como o Sumo Sacerdote e por outros como o Rei da dinastia de Dawid, faria uma oferta por seu pecado, e pelo pecado do povo. Por que a menção ao pecado justamente no momento de uma comemoração tão alegre? Alguns comentaristas afirmam que a menção ao pecado é para que a festa não nos impeça de ficar em alerta. É fácil tomar ciência do pecado quando se está triste e abatido, mas lembramos disso quando estamos alegres? A lembrança do pecado não precisa estragar a festividade. Mas ela serve como uma meta; um memorial de que nunca devemos parar de buscar evoluirmos, e progredirmos diante do Criador.

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O Pecado do Outro (Dt. 24:16)

לֹא-יוּמְתוּ אָבוֹת עַל-בָּנִים וּבָנִים לֹא-יוּמְתוּ עַל-אָבוֹת אִישׁ בְּחֶטְאוֹ יוּמָתוּ

“Os pais não morrerão pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada um morrerá pelo seu pecado.” (Debharim/Deuteronômio 24:16)

O versículo acima é muito utilizado na teologia judaica, para uma série de coisas. No entanto, existe ainda também um ensinamento que pode passar despercebido numa leitura mais desatenta: Se ninguém é responsabilizado pelo pecado de outra pessoa, então isso significa que também não podemos nos justificar utilizando por base as ações do outro. A Torá ensina que somos responsáveis por nossas escolhas. Sem subterfúgios. Sem mais, nem menos. Assumir essa responsabilidade é fundamental para que possamos crescer espiritualmente, e aprimorarmos nossos atos diante do Criador.

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Governos e Desejos (Dt. 17:4)

וְהֻגַּד-לְךָ וְשָׁמָעְתָּ וְדָרַשְׁתָּ הֵיטֵב–וְהִנֵּה אֱמֶת נָכוֹן הַדָּבָר נֶעֶשְׂתָה הַתּוֹעֵבָה הַזֹּאת בְּיִשְׂרָאֵל

“Quando entrares na terra que te dá ADONAY teu Elohim, e a possuíres, e nela habitares, e disseres: Porei sobre mim um rei, assim como têm todas as nações que estão em redor de mim.” (Debharim/Deuteronômio 17:14)

As regulações da Torá acerca de um rei não eram fruto da vontade do Criador, conforme fica explícito mais adiante no livro de Shemu’el (Samuel), mas sim dos anseios humanos por coisas que lhes são familiares. Frequentemente, a Torá estabelece padrões mínimos, para nos proteger e evitar que nossos desejos se tornem nocivos. É o que fez com o rei: Um governante humano com poderes absolutistas inevitavelmente cairia na corrupção, na opressão e na transgressão. Por isso, a Torá propõe regras para manter o rei em integridade. De forma análoga, devemos sempre olhar para a Torá em busca dos limites que digam respeito justamente àquilo no qual somos fracos, e não conseguimos resistir a nossos desejos. Quando fazer a vontade do Criador parece impossível, procure, ao menos, manter a sua vontade dentro de alguns dos limites prescritos, de forma a se aproximar dEle gradativamente.

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Pecado por Ignorância (Lv. 4:2)

דַּבֵּר אֶל-בְּנֵי יִשְׂרָאֵל לֵאמֹר–נֶפֶשׁ כִּי-תֶחֱטָא בִשְׁגָגָה מִכֹּל מִצְו‍ֹת יהוה אֲשֶׁר לֹא תֵעָשֶׂינָה וְעָשָׂה מֵאַחַת מֵהֵנָּה

“Fala aos filhos de Israel, dizendo: Quando uma alma pecar, por ignorância, contra alguns dos mandamentos de ADONAY, acerca do que não se deve fazer, e proceder contra algum deles.” (Wayiqrá/Levítico 4:2)

O passuq (versículo) acima introduz o conceito do pecado por ignorância. Isso pode assustar quando se pensa no termo ‘pecado’ no português. No entanto, no hebraico o termo ‘Het’ significa errar o alvo. Pela Torá, não se imputa culpa a uma pessoa que errou por ignorância. O sacrifício é apresentado somente após a pessoa entender o que errou, até mesmo para aliviar o sentimento de culpa que pode ser gerado. O procedimento deve ser compreendido como um estímulo a que sempre estejamos aprendendo mais, e nos corrigindo. Mas não pode servir de peso para que sintamos pânico de errar por falta de conhecimento. Afinal, o Eterno é um Pai amoroso, e não um carrasco tirano. O objetivo é nos educar e nos depurar, e não nos ferir.

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Fonte de Pecado (Ex. 34:12)

הִשָּׁמֶר לְךָ פֶּן-תִּכְרֹת בְּרִית לְיוֹשֵׁב הָאָרֶץ אֲשֶׁר אַתָּה בָּא עָלֶיהָ פֶּן-יִהְיֶה לְמוֹקֵשׁ בְּקִרְבֶּךָ

“Guarda-te de fazeres aliança com os moradores da terra aonde hás de entrar; para que não seja por laço no meio de ti.” (Shemot/Êxodo 34:12)

Embora não seja politicamente correto, é importante enfatizar como a proximidade com os moradores da terra era problemática, porque eram pessoas que fariam o povo pecar. Muita gente se frustra em sua batalha diária contra o pecado, e o problema pode estar justamente em insistir na proximidade daqueles que estimulam o pecado. Não há problema em convivermos com pessoas com valores diferentes dos nossos. Mas é preocupante quando convivemos com pessoas que nos estimulam a transgredir os nossos próprios valores, e os caminhos do Eterno. Para vencer a luta contra o pecado, não hesite em se afastar daqueles que pesam a favor do pecado.

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A Atração do Pecado (Pv. 1:10)

בְּנִי אִם-יְפַתּוּךָ חַטָּאִים אַל-תֹּבֵא

“Filho meu, se os pecadores procuram te atrair com agrados, não aceites.” (Mishlê/Provérbios 1:10)

É comum que pensemos no pecado como algo feio, sujo e obscuro. O que nem sempre nos damos conta é de que a transgressão pode ser extremamente atraente e sedutora. É comum que, diante do brilho e da vantagem que obteríamos caso cedêssemos, fiquemos balançados diante dos valores que o Eterno nos coloca. É importante ficar alerta, e lembrar: O momento em que estamos passando por uma tentação é a pior hora para tentarmos repensar nossos valores acerca dos mandamentos. Pois corremos o risco de ouvirmos à voz da tentação, ao invés da nossa consciência.

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Porque o Eterno se Afasta (Gn. 3:12)

וַיֹּאמֶר הָאָדָם הָאִשָּׁה אֲשֶׁר נָתַתָּה עִמָּדִי הִוא נָתְנָה-לִּי מִן-הָעֵץ וָאֹכֵל

“Então disse Adam: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.” (Bereshit/Gênesis 3:12)

Aqui começa o ciclo de empurrar a culpa. O homem acusa a mulher de ter lhe dado o fruto para comer. A mulher acusa a serpente. Para este autor, dentro da narrativa poética do Eden, foi isso, e não o pecado em si, que levou à expulsão dos dois do paraíso. Como poderia o Eterno perdoar, se o casal não fez o básico, que era assumir o próprio erro? Sem haver consciência do próprio erro, não há arrependimento. Sem arrependimento, não há teshuvá (retorno). Muitas vezes, é mais difícil vencer o próprio orgulho e assumir o erro do que corrigi-lo. Não é o ato de errar que nos afasta da presença do Eterno. Mas, principal e fundamentalmente, a arrogância de fingir que se está certo, de culpar terceiros, e de calar a voz da própria consciência, que o Eterno nos deu como instrumento para nos manter no caminho. Vença isso, e o seu relacionamento com Ele jamais será distante.

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Temor em Excesso (Nm. 27:4)

לָמָּה יִגָּרַע שֵׁם-אָבִינוּ מִתּוֹךְ מִשְׁפַּחְתּוֹ כִּי אֵין לוֹ בֵּן תְּנָה-לָּנוּ אֲחֻזָּה בְּתוֹךְ אֲחֵי אָבִינוּ

“Nosso pai morreu no deserto, e não estava entre os que se congregaram contra YHWH no grupo de Qorah; mas morreu no seu próprio pecado, e não teve filhos.” (Badmibar/Números 27:4)

O próprio Eterno diz que o pedido das filhas de Selofhad (Zelofeade) foi justo. Não foi portanto, um ato de misericórdia, mas sim um ato de justiça. Contudo, é dito que Selofhad morreu em seu próprio pecado, e não com o grupo de Qorah (Corá) – o que indica que seu pecado não era grave o suficiente para que ele ficasse sem descendentes. Há religiões que se sustentam sobre sentimentos pesados de culpa, igualando todo e qualquer tipo de pecado, e suas consequências. Não é assim com a Torah. O Eterno é, antes de mais nada, justo. Sua punição não é nem desproporcional, nem cruel, nem tampouco Ele deixa de levar em consideração todas as variáveis envolvidas, em seu juízo. Acima de tudo, Ele é muito mais justo do que os seres humanos. Não há porque temer sofrer dEle punição excessivamente severa. Isso negaria a Sua justiça. É preciso ter cuidado, pois o temor em excesso, e injustificado, pode nos paralisar, e nos desmotivar a caminhar na Torah.

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Quando a Verdade é Pretexto (Nm. 16:3)

יִּקָּהֲלוּ עַל-מֹשֶׁה וְעַל-אַהֲרֹן, וַיֹּאמְרוּ אֲלֵהֶם רַב-לָכֶם–כִּי כָל-הָעֵדָה כֻּלָּם קְדֹשִׁים, וּבְתוֹכָם יהוה; וּמַדּוּעַ תִּתְנַשְּׂאוּ, עַל-קְהַל יהוה

“E se congregaram contra Moshe e contra Aharon, e lhes disseram: Basta-vos, pois que toda a congregação é santa, todos são santos, e YHWH está no meio deles; por que, pois, vos elevais sobre a congregação de YHWH?” (Bamidbar/Números 16:3)

A tese de QoraH (Coré), teoricamente, não estava errada: Todo Israel havia sido separado pelo Eterno, e não havia porque um homem se considerar superior ao outro. Contudo, essa tese, mesmo verdadeira, o levou à morte. Porque ele não a aplicou com objetivo de engrandecer o Eterno, mas sim de engrandecer a si próprio. Moshe (Moisés) e Aharon (Aarão) eram humildes, e jamais haviam se enaltecido acima do povo. Uma das formas de pecado mais perigosas e destrutivas é quando nos munimos de uma verdade, e a aplicamos no contexto errado, para justificar ações egocêntricas. A verdade só serve se for bem aplicada. Caso contrário, deixa de ser verdade, e se torna pretexto para o mal.

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