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Discernimento (Gn. 1:4)

וַיֹּאמֶר אֱלֹהִים יְהִי אוֹר וַיְהִי-אוֹר

“E viu Elohim que era boa a luz; e fez Elohim separação entre a luz e as trevas.” (Bereshit/Gênesis 1:4)

O primeiro movimento de distinção feito pelo Eterno em Bereshit (Gênesis) acontece logo depois da criação da luz, e observação de que ela era boa. Quando o Eterno concede ao homem a capacidade de criar, e realizar atos, à Sua imagem e semelhança, Ele também espera que o homem tenha a mesma capacidade de discernimento que Ele apresenta. Após realizar um ato, devemos avaliar: Este ato foi bom, ou ruim? Separar luz e trevas traz consigo a ideia de que devemos saber separar aquilo que nos ilumina, daquilo que nos obscurece. Ë fácil avaliar tal coisa no outro. Porém, a Torá nos convida a fazermos isso como exercício de auto-reflexão. Só assim agiremos da forma como nosso Criador nos ensinou.

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Bem e Mal (Dt. 30:15)

רְאֵה נָתַתִּי לְפָנֶיךָ הַיּוֹם אֶת-הַחַיִּים וְאֶת-הַטּוֹב וְאֶת-הַמָּוֶת וְאֶת-הָרָע

“Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal.” (Debharim/Deuteronômio 30:15)

Muitos pensam neste versículo como exclusivamente representando uma dualidade moral. Porém, para o pensamento semita, é muito mais do que isso. O Eterno acabara de informar ao povo as consequências de seguir suas instruções, e de andar fora delas. Desviar-se dessas instruções poderia trazer consequências diretas e imediatas sobre a vida do povo. O Eterno não deu a Torá para que ficássemos com pavor de castigos no mundo vindouro, mas sim para que tivéssemos qualidade de vida aqui e agora. Veja a Torá como um grande manancial de sabedoria, e entenda que o bem e o mal no conceito semita está ligado às consequências do que se pode esperar.

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A Origem do Mal (Gn. 37:3)

וְיִשְׂרָאֵל אָהַב אֶת-יוֹסֵף מִכָּל-בָּנָיו כִּי-בֶן-זְקֻנִים הוּא לוֹ וְעָשָׂה לוֹ כְּתֹנֶת פַּסִּים

“E Yisra’el amava a Yossef mais do que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica de várias cores.” (Bereshit/Gênesis 37:3)

É fato que os irmãos de Yossef (José) cometeram um pecado terrível ao vendê-lo de escravo e dizer ao pai que ele havia morrido. Todavia, o problema começa anteriormente, pois uma das coisas mais dolorosas que pode existir é ser preterido pelos próprios pais em favor de um irmão. E isso deu origem aos desvios dos filhos de Ya’aqov (Jacó). É fácil, ao olhar para uma situação, culpar apenas quem cometeu o ato da transgressão. Porém, se queremos realmente transformar a realidade ao nosso redor, devemos trabalhar no sentido de prevenir a conjuntura que dá origem ao mal. Coibir apenas o último elo da corrente não resolve o problema, pois novos elos se formam em seu lugar. Para isso, é fundamental que a Torá nos guie em todos os instantes, tanto em nossos atos de amor, quanto nos atos de justiça.

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Como o Grupo Nos Afeta (Gn. 11:6)

וַיֹּאמֶר יהוה הֵן עַם אֶחָד וְשָׂפָה אַחַת לְכֻלָּם וְזֶה הַחִלָּם לַעֲשׂוֹת וְעַתָּה לֹא-יִבָּצֵר מֵהֶם כֹּל אֲשֶׁר יָזְמוּ לַעֲשׂוֹת

“E ADONAY disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer.” (Bereshit/Gênesis 11:6)

O ser humano sempre busca a companhia de seus pares para se sentir mais forte e mais capaz em suas realizações. Todavia, isso ocorre tanto para coisas boas quanto para coisas ruins. Grupos de pessoas são capazes dos feitos mais extraordinários, e também das maiores atrocidades. Por essa razão, é sempre importante estar atento para que tipo de sentimento um grupo te desperta: Se o desejo de fazer o bem, ou se a inclinação ao mal. Todo ser humano é dotado de impulsos para o bem e para o mal. O que sobressai depende de alguns fatores. O grupo onde se está inserido pode ser um deles. Não há grupo perfeito, mas há grupos onde o mal é inibido, e há grupos onde o mal é estimulado. Saber discernir entre eles é fundamental, para saber se devemos investir em um grupo, ou sair dele.

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Bem, Mal e Eternidade (Is. 45:7)

יוֹצֵר אוֹר וּבוֹרֵא חֹשֶׁךְ עֹשֶׂה שָׁלוֹם וּבוֹרֵא רָע אֲנִי יהוה עֹשֶׂה כָל-אֵלֶּה

“Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; Eu, YHWH, faço todas estas coisas.” (Yeshayahu/Isaías 45:7)

Durante a 2a. Guerra, um paraquedista quebrou o pescoço sem perceber. Ao cair, foi preso por nazistas, que o colocaram num cubículo onde permaneceu semanas deitado. Isso permitiu a seu pescoço se recuperar da fratura. Caso não tivesse sido preso, o ato de se movimentar muito teria feito com que ficasse paralítico ou mesmo morresse. A prisão foi, na realidade, sua salvação. Mas, ele só descobriu isso décadas depois, quando um raio-X revelou o ocorrido. Uma das razões pelas quais religiões dualistas surgiram está na dificuldade de atribuir a origem do mal (no sentido de destruição) ao Eterno. Para alguns, é preferível crer num segundo deus, tal como o diabo, e projetar sobre ele tais coisas. Mas o Tanakh é categórico: O Eterno é o único Elohim. Contudo, como na história do paraquedista, bem e mal são relativos, e nossa capacidade de enxergar é muito limitada. Nossas vidas são grãos de areia na eternidade. O sofrimento pelo qual passamos um dia se revelará como um grande bem no plano geral do Criador, e será como o nada, diante da grandiosidade objetivos dEle para nós, que contemplam toda a Eternidade.

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Difícil Escolha (Nm. 25:12)

לָכֵן אֱמֹר הִנְנִי נֹתֵן לוֹ אֶת-בְּרִיתִי שָׁלוֹם

“Portanto dize: Eis que lhe dou a minha aliança de paz;” (Bamidbar/Números 25:12)

É difícil compreender como alguém que acabara de cometer um ato brutal possa receber uma aliança de paz. Porém, a verdade é que é preciso olhar para o contexto geral. Se PinHas não tivesse agido, aquele teria sido o fim do povo de Israel. E as duas mortes que ele causou teriam se transformado em milhões, fora as vidas que jamais teriam nascido. Nem sempre fazer algo totalmente bom é uma opção possível. Às vezes, as escolhas são dolorosas, e é preciso fazer algo aparentemente ruim, para evitar algo ainda pior. A Torah não nos ensina somente a fazermos o bem, mas também a agirmos de modo a impedir que o mal se propague. Não tenha medo de cortar o mal pela raiz, quando for necessário.

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O Maior Adversário (Pv. 30:20)

“O caminho da mulher adúltera é assim: ela come, depois limpa a sua boca e diz: Não fiz nada de mal!” (Mishlei/Provérbios 30:20)

Embora o exemplo dado em Mishlei (Provérbios) seja o de uma mulher adúltera, na realidade esse caminho indicado é comum a muitas pessoas. Fazem o mal, e logo a consciência pesa. No momento em que isso ocorre, então, ao invés de se arrependerem dos maus caminhos, procuram justificar seus atos, e convencer a si próprios de que nada de mal fizeram. O maior adversário que um ser humano pode ter é o desejo de cauterizar sua própria consciência.

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