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Limites (Ex. 35:3)

לֹא-תְבַעֲרוּ אֵשׁ בְּכֹל מֹשְׁבֹתֵיכֶם בְּיוֹם הַשַּׁבָּת

“Não acendereis fogo em nenhuma das vossas moradas no dia de Shabat.” (Shemot/Êxodo 35:3)

Uma boa parte da Torá está relacionada com o reconhecimento dos direitos básicos, e também dos limites do ser humano. Um desses elementos é o Shabat. Por intermédio do exemplo bíblico do Shabat, Israel afetou toda a humanidade, uma vez que hoje o descanso semanal é amplamente reconhecido como importante para a saúde física, mental e espiritual. O Eterno deu a Sua revelação para permitir que o homem fosse livre. Não interfere, porém, no livre arbítrio. E há homens que escravizam a si mesmos. O versículo acima começa com uma palavra importante: Não. Dizer ‘não’ a si mesmo é reconhecer o próprio limite. Há quem, por conta de seus objetivos pessoais, tais como trabalho, estudo, hobbies, etc., destrua a si mesmo ao passar por cima desses limites. Se buscamos o auxílio do Criador, é fundamental que não venhamos nós mesmos a nos escravizar.

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Governos e Desejos (Dt. 17:4)

וְהֻגַּד-לְךָ וְשָׁמָעְתָּ וְדָרַשְׁתָּ הֵיטֵב–וְהִנֵּה אֱמֶת נָכוֹן הַדָּבָר נֶעֶשְׂתָה הַתּוֹעֵבָה הַזֹּאת בְּיִשְׂרָאֵל

“Quando entrares na terra que te dá ADONAY teu Elohim, e a possuíres, e nela habitares, e disseres: Porei sobre mim um rei, assim como têm todas as nações que estão em redor de mim.” (Debharim/Deuteronômio 17:14)

As regulações da Torá acerca de um rei não eram fruto da vontade do Criador, conforme fica explícito mais adiante no livro de Shemu’el (Samuel), mas sim dos anseios humanos por coisas que lhes são familiares. Frequentemente, a Torá estabelece padrões mínimos, para nos proteger e evitar que nossos desejos se tornem nocivos. É o que fez com o rei: Um governante humano com poderes absolutistas inevitavelmente cairia na corrupção, na opressão e na transgressão. Por isso, a Torá propõe regras para manter o rei em integridade. De forma análoga, devemos sempre olhar para a Torá em busca dos limites que digam respeito justamente àquilo no qual somos fracos, e não conseguimos resistir a nossos desejos. Quando fazer a vontade do Criador parece impossível, procure, ao menos, manter a sua vontade dentro de alguns dos limites prescritos, de forma a se aproximar dEle gradativamente.

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Limites (Lv. 22:8)

נְבֵלָה וּטְרֵפָה לֹא יֹאכַל לְטָמְאָה-בָהּ אֲנִי יהוה

“Do animal que morrer por si, ou do que for dilacerado por feras, não comerá o homem, para que não se contamine com ele. Eu sou ADONAY.” (Wayiqrá/Levítico 22:8)

A proibição com relação à nebhelá (‘carcassa’), isto é, a comer de um animal, mesmo limpo, que não tenha sido abatido de forma adequada, ou que tenha morrido por contra própria, não apenas revela uma preocupação enorme do Eterno para com a saúde humana, uma vez que tal animal poderia ser fonte de doenças, como também revela uma preocupação de que o abate dos animais fosse feito de forma humanitária e digna. Embora o ser humano biologicamente não tenha sido programado para ser carnívoro, acabou por se tornar assim com o passar do tempo. Ao invés de proibir, o que seria um peso grande sobre o ser humano, o Eterno regulou a prática, de modo que não fosse excessivamente ruim para o homem, nem demasiado sofrida para os animais. Os limites que o Eterno nos colocou na Torá são os mais suaves possíveis, para que nossa vida seja saudável, feliz e nossa espiritualidade seja positiva.

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Cuidado e Limite (Lv. 21:21)

כָּל-אִישׁ אֲשֶׁר-בּוֹ מוּם מִזֶּרַע אַהֲרֹן הַכֹּהֵן–לֹא יִגַּשׁ לְהַקְרִיב אֶת-אִשֵּׁי יהוה מוּם בּוֹ–אֵת לֶחֶם אֱלֹהָיו לֹא יִגַּשׁ לְהַקְרִיב

“Nenhum homem da descendência de Aharon, o sacerdote, em quem houver alguma deformidade, se chegará para oferecer as ofertas queimadas da ADONAY; defeito nele há; não se chegará para oferecer o pão do seu Elohim.” (Wayiqrá/Levítico 21:21)

À primeira vista e fora de contexto, a passagem acima pode parecer preconceito. Por que pessoas com deficiência física não poderiam servir no Templo? A verdade é que o serviço no Templo era extremamente braçal, mexendo com fogo, objetos cortantes, e poderia ser perigoso caso a pessoa não tivesse as condições adequadas para realizá-lo, além de ser desgastante. Uma pessoa sem condições de servir estaria isenta, mas ainda assim partilhava daquilo que cabia aos sacerdotes! Isso nos ensina o enorme zelo que o Eterno tem pela segurança e pela vida. Ele deseja ser servido, mas não ao ponto de colocarmos nossa segurança em risco. Tudo tem limites – até o servir ao Eterno. E esses limites existem porque nossa existência é frágil. Reconhecer isso é um ato de humildade, e aceitar que o Eterno cuide de nós quando chegamos aos nossos limites é abrir-se para um amor incomensurável.

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Sabedoria no Parar (Ex. 10:29)

וַיֹּאמֶר מֹשֶׁה כֵּן דִּבַּרְתָּ לֹא-אֹסִף עוֹד רְאוֹת פָּנֶיךָ

“E disse Moshe: Bem disseste; eu nunca mais verei o teu rosto.” (Shemot/Êxodo 10:29)

Houve um momento em que não era mais possível, nem mesmo produtivo, dialogar com Faraó. Por essa razão, Moshe (Moisés) não insistiu. É sempre muito importante saber a hora de parar. Moshe buscou uma saída conciliatória, esperou, e se esforçou até o fim. Porém, há um momento em que insistir é inútil, e só trará frustração. Reconhecer quando esse momento chega, e não ter medo de dar um basta, é um fundamento de sabedoria, que precisamos colocar em prática. Não é fácil, mas é extremamente necessário.

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Limite Tolerável (Js. 1:14)

נְשֵׁיכֶם טַפְּכֶם וּמִקְנֵיכֶם יֵשְׁבוּ בָּאָרֶץ אֲשֶׁר נָתַן לָכֶם מֹשֶׁה בְּעֵבֶר הַיַּרְדֵּן וְאַתֶּם תַּעַבְרוּ חֲמֻשִׁים לִפְנֵי אֲחֵיכֶם כֹּל גִּבּוֹרֵי הַחַיִל וַעֲזַרְתֶּם אוֹתָם

“Vossas mulheres, vossos meninos e vosso gado fiquem na terra que Moshe vos deu deste lado do Jordão; porém vós passareis armados na frente de vossos irmãos, todos os valentes e valorosos, e ajudá-los-eis.” (Yehoshua’/Josué 1:14)

Yehoshua’ (Josué) exigiu dos israelitas das tribos de Re’uven, Gad e Menashe que cumprissem o seu compromisso de lutarem ao lado de seus irmãos. Todavia, permitiu a eles que deixassem suas mulheres, filhos e bens onde estavam. O compromisso não exigia deles que fossem junto com tais coisas, pois sabia que isso seria um pedido excessivo. Como poderiam subir à batalha, sabendo que teriam deixado para trás sua propriedade? Um dos sinais dos compromissos que o Eterno exige de nós é justamente o de que não será um compromisso que exija de você algo cruel, ou excessivo. Pois o Eterno sempre está sensível às nossas questões e dificuldades. Se algo que você supõe vir do Eterno está te afligindo além do limite suportável, há algo errado, e deve-se supor que tal coisa não venha dEle. É importante estar atento.

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Basta! (1 Rs. 20:5)

“Mas os mensageiros voltaram e disseram: “Assim fala Ben-Hadad. Eu mando dizer-te: ‘Dá-me tua prata e teu ouro, tuas mulheres e teus filhos.'” (Melachim Alef/1 Reis 20:5)

Buscar a harmonia geralmente é uma atitude positiva. Porém, é preciso cautela no que diz respeito a ceder. O ato de ceder posições excessivamente pode fazer com que os outros nos exijam cada vez mais. Houve um momento em que Achav (Acabe) precisou dizer um basta a Ben-Hadad. Se você estiver agindo em retidão, não tenha medo de dizer não à injustiça. Assim como o Eterno concedeu vitória a Achav (Acabe), Ele sustentará os seus filhos.

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