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Misericórdia x Favorecimento (Ex. 23:3)

וְדָל לֹא תֶהְדַּר בְּרִיבוֹ

“Nem ao pobre favorecerás na sua demanda.” (Shemot/Êxodo 23:3)

Ao mesmo tempo em que as Escrituras falam sobre a importância de uma sociedade justa, e do amor e da misericórdia para com os menos favorecidos, também afirma que não se deve, no âmbito da justiça, favorecer uma pessoa porque ela tem menos recursos. Afinal, a justiça deve ser igual para todos. Essa lição da Torá é muito preciosa, pois infelizmente muitos confundem misericórdia com favorecimento. Agir em amorosidade para com um alguém menos afortunado não pode servir de pretexto para que se favoreça tal pessoa quando se julga entre ela e outra mais afortunada. Esse erro é muito comum de ocorrer em família, com pais que favorecem um filho que nasceu enfermo. Ou em ambientes de trabalho, com chefes favorecendo funcionários mais humildes porque supostamente precisam mais. Todas essas coisas são uma perversão grave da imparcialidade exigida pelo Eterno para a aplicação da justiça. Há tempo e espaço para ser misericordioso, assim como há momento e lugar para ser justo. A misericórdia não deve perverter a justiça, nem a retidão ser sobrepujada pela compaixão..

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Prioridades (Ex. 1:19)

וַתֹּאמַרְןָ הַמְיַלְּדֹת אֶל-פַּרְעֹה כִּי לֹא כַנָּשִׁים הַמִּצְרִיֹּת הָעִבְרִיֹּת כִּי-חָיוֹת הֵנָּה בְּטֶרֶם תָּבוֹא אֲלֵהֶן הַמְיַלֶּדֶת וְיָלָדוּ

“E as parteiras disseram a Faraó: É que as mulheres hebréias não são como as egípcias; porque são vivas, e já têm dado à luz antes que a parteira venha a elas.” (Shemot/Êxodo 1:19)

No episódio acima, as parteiras egípcias mentiram para faraó, enganando-o quanto à razão pela qual deixaram viver as crianças. E, no entanto, foram abençoadas pelo Eterno. Isso demonstra que na Torá há uma escala de valores. Embora mentir não seja algo positivo, muito pior seria permitir o assassinato de crianças. Os valores da Torá nem sempre são simplesmente faça ou não faça. Há que se estar atento pois há coisas que têm prioridade sobre outras. Quando duas coisas entram em conflito, é importante saber qual delas priorizar. Esse entendimento muitas vezes pode ser a diferença entre um justo e um fanático. Por essa razão, a reflexão constante sobre as Escrituras é fundamental.

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A Sutileza do Suborno (Dt. 27:25)

אָרוּר לֹקֵחַ שֹׁחַד לְהַכּוֹת נֶפֶשׁ דָּם נָקִי וְאָמַר כָּל-הָעָם אָמֵן

“Maldito aquele que aceitar suborno para ferir uma pessoa inocente. E todo o povo dirá: Amen.” (Debharim/Deuteronômio 27:25)

Suborno é um problema grave em nosso país, e não é difícil percebê-lo como um comportamento negativo. No entanto, quando se substitui o dinheiro por outras coisas, nem sempre fica fácil de perceber. Coisas como prestígio, status, ou mesmo a aprovação de terceiros podem ser usados como moeda de troca para nos colocar em cheque contra nossos valores pessoais. Ceder a isso pode nos desviar apenas por um milímetro, de forma quase imperceptível, dos caminhos do Criador. No entanto, a longo prazo, essa distância se torna um abismo. Seja firme em seus princípios e propósitos, pois a justiça não pode ser relativizada em prol de benefícios pessoais.

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Justo e Injusto (Dt. 25:1)

כִּי-יִהְיֶה רִיב בֵּין אֲנָשִׁים וְנִגְּשׁוּ אֶל-הַמִּשְׁפָּט וּשְׁפָטוּם וְהִצְדִּיקוּ אֶת-הַצַּדִּיק וְהִרְשִׁיעוּ אֶת-הָרָשָׁע

“Quando houver contenda entre alguns, e vierem a juízo, para que os julguem, ao justo justificarão, e ao injusto condenarão.” (Debharim/Deuteronômio 25:1)

A recomendação acima era dada aos Batê Din (tribunais) em Israel: Os juízes, ao julgarem um caso, deveriam ser totalmente objetivos e, dentro da medida do possível, imparciais. Mas, também serve como uma referência geral sobre o que o Eterno espera de nós. Muitas vezes avaliamos situações com base em gostarmos ou não de uma pessoa, em nos identificarmos ou não com o que ela está vivendo, e temos ainda a tendência de privilegiar pessoas menos favorecidas, ou de quem temos pena, em nossos juízos de valores. Embora haja espaço, na Torá, para as amizades, para a misericórdia, e para o auxílio aos necessitados, isso não deve conduzir ou guiar nossas avaliações. O que é justo e correto, o é independentemente de quem o pratica ou diz. O mesmo se pode dizer para o que é injusto ou errado. Sejamos imparciais perante os homens, na medida do que nos for possível, para sermos tidos como retos perante o Criador.

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Conforme o Eterno Ordenou (Ex. 40:16)

וַיַּעַשׂ מֹשֶׁה כְּכֹל אֲשֶׁר צִוָּה יהוה אֹתוֹ–כֵּן עָשָׂה

“E Moshe fez conforme a tudo o que ADONAY lhe ordenou, assim o fez.” (Shemot/Êxodo 40:16)

Neste capítulo, a Torá repete por diversas vezes que Moshe (Moisés) fez tudo conforme o Eterno lhe ordenara. Se nada na Torá é por acaso, por que repetir essa informação tantas vezes? A resposta pode estar no fato de que é muito fácil nos desviarmos daquilo que o Eterno nos ordena, pois muitas são as vozes que nos puxam noutra direção. A cada coisa que era feita, Moshe (Moisés) tomava um enorme cuidado para que fosse da maneira que o Eterno havia determinado. Assim também devemos fazer com nossos atos. Não darmos chance às vozes da nossa inclinação destrutiva, nem das demais pessoas, caso tais coisas queiram nos tirar do foco do serviço ao Criador. E assim poderemos agir em justiça, tal como Moshe (Moisés) nos ensinou.

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Medindo Ações e Pessoas (Ex. 23:3)

וְדָל לֹא תֶהְדַּר בְּרִיבוֹ

“Nem ao pobre favorecerás na sua demanda.” (Shemot/Êxodo 23:3)

Um dos princípios básicos do direito vem exatamente da Torá: toda causa deve ser analisada segundo o seu próprio mérito, e não baseada em quem são as pessoas. Uma pessoa ruim, ou desagradável, pode estar errada. Ao passo que uma pessoa boa e carismática pode estar certa. Um rico pode ter sido financeiramente lesado, e um pobre não é menos culpado de um crime por ser pobre. Na esfera do direito, isso fica claro. Mas, será que aplicamos isso em nosso cotidiano? Será consideramos os atos pelo filtro de quem os comete, considerando com má vontade aqueles cometidos por pessoas que não são do nosso agrado, e lendo com boa vontade os de pessoas amadas? Se isso ocorre, é preciso ajustarmos nossas vidas à palavra da Torá.

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Integridade e Prioridade (Pv. 21:3)

עֲשֹׂה צְדָקָה וּמִשְׁפָּט– נִבְחָר לַיהוָה מִזָּבַח

“Fazer justiça e juízo é mais aceitável a ADONAY do que sacrifício.” (Mishlê/Provérbios 21:3)

A ritualística da Torá é bastante completa e sofisticada, e objetiva nos manter conscientes do Criador a todo tempo. Todavia, os ritos existem por nossa causa, isto é, pela necessidade que o ser humano tem de algo concreto para conseguir direcionar sua mente e seu coração ao Eterno. No entanto, não devemos nos iludir em direcionar nossos principais esforços a tais coisas, sem contudo nos ocuparmos de moldar nosso caráter, integridade e amorosidade. Sem isso, qualquer outra coisa se torna absolutamente vazia, e até mesmo desnecessária. Esse é o sentido da recomendação de Mishlê (Provérbios).

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A Bondade de Muitos (Pv. 20:6)

מַעֲנֶה-רַּךְ יָשִׁיב חֵמָה וּדְבַר-עֶצֶב, יַעֲלֶה-אָף

“Muitos há que proclamam a sua própria bondade; mas o homem fiel, quem o achará?” (Mishlê/Provérbios 20:6)

Observe à sua volta. Quantas pessoas proclamam a si próprias como modelos? Quantas criticam as demais sempre que podem? Quantas usam a bandeira de uma causa como pretexto para agir em iniquidade, e ainda se dizerem boas? Não se surpreenda com os números. Já dizia Mishlê (Provérbios) que assim age a multidão de homens. E por que dizer isso? Para nos ensinar que temos que ser diferentes. Nossa retidão não deve estar em auto-proclamações, em palavras bonitas, em críticas a terceiros, mas sim em nossas atitudes. Agir em retidão é ser fiel ao Eterno. O objetivo da Torá é produzir pessoas dessa raridade. Sem isso, tudo mais é em vão.

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Justiça na Angústia (Gn. 37:27)

לְכוּ וְנִמְכְּרֶנּוּ לַיִּשְׁמְעֵאלִים וְיָדֵנוּ אַל-תְּהִי-בוֹ כִּי-אָחִינוּ בְשָׂרֵנוּ הוּא וַיִּשְׁמְעוּ אֶחָיו

“Vinde e vendamo-lo a estes ismaelitas, e não seja nossa mão sobre ele; porque ele é nosso irmão, nossa carne. E seus irmãos obedeceram.” (Bereshit/Gênesis 37:27)

Devido ao ciúme, os filhos de Israel venderam o próprio irmão como escravo aos ismaelitas. Pensaram que teriam paz de espírito ao se livrarem daquela situação. Hoje, não é incomum que as pessoas em momento de angústia e incômodo, revejam seus valores pessoais, e se permitam cometer liberdades para com eles. É muito fácil ser justo e bondoso na abundância e na tranquilidade. Mas, é no fogo que se conhece o caráter do homem. Diante das adversidades da vida, como é o seu agir? Aqueles que ainda agem de forma iníqua voltarão ao fogo, para serem depurados. Para que pudessem desfrutar da abundância, os irmãos de Yossef (José) precisaram passar por várias provações.

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O Justo e o Perverso (Sl. 1:2)

כִּי אִם בְּתוֹרַת יהוה חֶפְצוֹ וּבְתוֹרָתוֹ יֶהְגֶּה יוֹמָם וָלָיְלָה

“Mas seu desejo está na Torá de ADONAY, e na Sua Torá ele medita dia e noite.” (Tehilim/Salmos 1:2)

O salmista contrasta o desejo do justo, que medita dia e noite na Torá, com o desejo dos perversos, que se cercam da companhia de escarnecedores. Na realidade, tanto o justo quanto o perverso estão sujeitos aos mesmos desejos, às mesmas paixões e às mesmas tentações. A diferença ocorre justamente porque o perverso se coloca em ambientes onde essas coisas são estimuladas. Ao passo que o justo sabe que precisa meditar dia e noite na Torá para se manter afastado dos maus caminhos. Não é o desejo que separa os homens, mas sim o destino que se dá a ele. Quanto mais próximos estivermos da Torá, mais fácil será lidar com desejos inadequados.

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