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Religiosidade e Agressividade (Jó 36:4)

כִּי-אָמְנָם לֹא-שֶׁקֶר מִלָּי תְּמִים דֵּעוֹת עִמָּךְ

“Porque na verdade, as minhas palavras não serão falsas; contigo está um que tem perfeito conhecimento.” (Iyob/Jó 36:4)

Elihu talvez tenha sido um dos mais arrogantes dos amigos de Iyobh (Jó). Julgando-se conhecedor da verdade, utilizou-a para ferir, ao invés de para curar. Sua própria arrogância espiritual o vitimou. Por trás de pessoas cheias de certezas e que se julgam conhecedoras de toda a verdade, é comum encontrar aqueles que ocultam seus próprios pecados, falhas ou inseguranças. Será que Elihu seria capaz de enfrentar o escrutínio do mesmo critério que ele próprio estabelecia para Iyob? Dificilmente os radicais são capazes de sustentar o peso de suas próprias acusações, haja vista que não são motivadas por desejo amoroso de recuperar um terceiro, mas sim por uma incontrolável agressividade que é movida por sua própria perversidade.

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Provação e Revelação (Jó 8:6)

אִם-זַךְ וְיָשָׁר אָתָּה כִּי-עַתָּה יָעִיר עָלֶיךָ וְשִׁלַּם נְוַת צִדְקֶךָ

“Se fores puro e reto, certamente logo despertará por ti, e restaurará a morada da tua justiça.” (Iyob/Jó 8:6)

As palavras de Bildad, ditas acima, têm aspecto de verdadeiras. Afinal, quem em sã consciência diria que o Eterno rejeita o justo? Porém, a própria lição do livro de Iyob (Jó) vem justamente desafiar o entendimento linear de que tudo que acontece conosco é consequência de nossas ações, e que o silêncio do Eterno é sinônimo de iniquidade. O que Bildad não conseguia enxergar é que o tempo muda nossa perspectiva acerca dos planos do Eterno. O que hoje pode parecer uma angústia terrível, amanhã pode se revelar uma grande bênção. Tudo porque o Eterno enxerga o futuro, ao passo que nós estamos limitados ao presente. Não devemos, portanto, julgar uma pessoa pelo momento que está vivendo. Isso também inclui o julgar a si próprio. O amor do Eterno tudo revela, no tempo adequado.

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Complexidade (Jó 35:16)

“Logo Iyov em vão abre a sua boca, e sem conhecimento multiplica palavras.” (Iyov/Jó 35:16)

Assim como Elihu, somos muito ágeis em julgar o sofrimento alheio. Porém, no caso especial de Iyov (Jó), observamos que os planos do Eterno frequentemente são elaborados, e não podem ser sempre compreendidos de imediato. Antes de julgar uma situação vivida por alguém, coloque-se no lugar dele, e tente imaginar os diferentes motivos que podem causar a situação. Considere todas as variáveis, e o grau de complexidade da situação. E assim observe porque somente o Onipotente pode ser o Juíz de todas as coisas.

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Cantar o Juízo (Sl. 101:1)

“Salmo de David. Cantarei a misericórdia e o juízo; a ti, YHWH, cantarei.” (Tehilim/Salmos 101:1)

É fácil cantar ao Eterno quando estamos alegres por causa de Sua infinita misericórdia. Todavia, como pode David afirmar que cantará o juízo ao Eterno? Afinal, o juízo é o oposto da misericórdia. Cantar o juízo não é fingir que tudo está bem. É entender que mesmo o juízo do Eterno para conosco pode ser um grande ato amoroso, de um Pai que deseja nos refinar. Você está sendo preparado para uma eternidade na presença dEle. Mas esse preparo significar passar pelo juízo quando nos desviamos do caminho adequado.

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