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A Eficácia da Oração por Terceiros (Nm. 14:20)

וַיֹּאמֶר יהוה סָלַחְתִּי כִּדְבָרֶךָ

“E disse ADONAY: Conforme à tua palavra lhe perdoei.” (Bamidbar/Números 14:20)

Pode ser uma surpresa para muitos que o Eterno possa perdoar alguém através da oração de um terceiro, mas é exatamente o que ocorre aqui neste trecho da Torá. A oração por terceiros sempre esteve presente ao longo do Tanakh, porque ela tem uma função bastante importante: A de nos trazer à consciência o sentimento de unidade com o próximo. Quando entendemos que somos todos um só povo, então estamos mais perto do que o Eterno deseja de nós. O Eterno poderia cumprir Sua vontade com ou sem a oração de Moshe (Moisés), mas havia algo que Ele desejava transmitir como lição a todos os que ouvem a Torá. A eficácia da oração pelos terceiros tem, então, um sentido ainda mais nobre, de transformar a quem a faz, e a quem a recebe, trazendo uma união que o Eterno sempre desejou nos ensinar.

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O Segredo da Bênção (Nm. 6:27)

וְשָׂמוּ אֶת-שְׁמִי עַל-בְּנֵי יִשְׂרָאֵל וַאֲנִי אֲבָרְכֵם

“Assim porão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei.” (Bamidbar/Números 6:27)

O texto da Torá não é muito claro acerca de quem o Eterno iria abençoar, se os filhos de Israel, ou se os kohanim (sacerdotes) que sobre eles pronunciariam a bênção. Ibn `Ezra afirma que seria a segunda alternativa. A razão é que, ao cumprirem o mandamento de abençoarem os filhos de Israel, os kohanim seriam abençoados. Podemos pensar em três bênçãos: Ao abençoar os filhos de Israel, estariam abençoando a si próprios. Ao abençoarem as demais tribos, eles também teriam maior abundância. E, por fim, ao cumprirem o mandamento, seriam abençoados por sua fidelidade. Este é um dos segredos da Torá: Quanto mais fazemos pelos outros, mais somos abençoados. Tanto como resultado direto da própria bênção, quanto pela nossa fidelidade ao Criador.

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Decisões Difíceis (Nm. 5:2)

צַו אֶת-בְּנֵי יִשְׂרָאֵל וִישַׁלְּחוּ מִן-הַמַּחֲנֶה כָּל-צָרוּעַ וְכָל-זָב וְכֹל טָמֵא לָנָפֶשׁ

“Ordena aos filhos de Israel que lancem fora do arraial a todo o que tem sara`at, e a todo o que padece fluxo, e a todos os imundos por causa de contato com algum morto.” (Bamidbar/Números 5:2)

À primeira vista, essa passagem não é das mais populares. No entanto, é preciso compreender que tais pessoas não eram abandonadas, e sim afastadas do convívio coletivo, até que pudessem se purificar e não mais apresentassem risco à comunidade. Isso era feito para priorizar o coletivo, e evitar problemas mais graves. Analogamente, não é incomum nos encontrarmos diante de situações em que temos que fazer cortes dolorosos, para evitar incorrermos em problemas maiores. Sabedoria é também conseguir colocar as coisas em perspectiva, e priorizar o que é mais importante. Mesmo que a prioridade tenha um preço, que possa até mesmo ser doloroso.

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Influência (Gn. 39:5)

וַיְהִי מֵאָז הִפְקִיד אֹתוֹ בְּבֵיתוֹ וְעַל כָּל-אֲשֶׁר יֶשׁ-לוֹ וַיְבָרֶךְ יהוה אֶת-בֵּית הַמִּצְרִי בִּגְלַל יוֹסֵף וַיְהִי בִּרְכַּת יהוה בְּכָל-אֲשֶׁר יֶשׁ-לוֹ בַּבַּיִת וּבַשָּׂדֶה

“E aconteceu que, desde que o pusera sobre a sua casa e sobre tudo o que tinha, ADONAY abençoou a casa do egípcio por amor de Yossef; e a bênção de ADONAY foi sobre tudo o que tinha, na casa e no campo.” (Bereshit/Gênesis 39:5)

É comum que quando pensamos em fé, pensemos em termos individuais. E frequentemente nos esquecemos de como a nossa vida pode afetar aos que estão ao nosso redor. O Eterno abençoou o egípcio Potifar, por amor a Yossef (José). Da mesma forma, o Eterno frequentemente abençoa, faz prosperar ou traz livramento em um determinado local por amor daqueles que ouvem a Sua voz. Isso nos faz compreender a dimensão da importância de servir a Ele, e do porque Ele nos coloca em determinadas situações. Frequentemente é para que, por amor de nós, Ele abençoe a todos os que estão à nossa volta.

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Coletividade e Proteção (Nm. 32:6)

וַיֹּאמֶר מֹשֶׁה לִבְנֵי-גָד וְלִבְנֵי רְאוּבֵן הַאַחֵיכֶם יָבֹאוּ לַמִּלְחָמָה וְאַתֶּם תֵּשְׁבוּ פֹה

“Porém Moshe disse aos filhos de Gad e aos filhos de Reuven: Irão vossos irmãos à peleja, e ficareis vós aqui?” (Bamidbar/Números 32:6)

Este trecho da Parashá da semana tem sido muito usado (e com razão) para criticar a postura dos ultra-ortodoxos, que se recusam a servir no exército de Israel, mas que buscam proteção como qualquer pessoa em tempos de guerra. A Torah nos ensina uma preciosa lição: É fácil ser irmão e amigo de todas as pessoas em tempos bons. Porém, os verdadeiros laços são aqueles que se mantêm nas adversidades. Seja leal nos tempos adversos, e busque também a companhia daqueles que são leais a você nas mesmas condições, pois esses são os verdadeiros irmãos, e o espírito de coletividade ensinado pela Torah.

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Esperança e Transformação (Ed. 3:12)

וְרַבִּים מֵהַכֹּהֲנִים וְהַלְוִיִּם וְרָאשֵׁי הָאָבוֹת הַזְּקֵנִים אֲשֶׁר רָאוּ אֶת-הַבַּיִת הָרִאשׁוֹן בְּיָסְדוֹ זֶה הַבַּיִת בְּעֵינֵיהֶם בֹּכִים בְּקוֹל גָּדוֹל וְרַבִּים בִּתְרוּעָה בְשִׂמְחָה לְהָרִים קוֹל

“Porém muitos dos kohanim, e lewiyim e chefes dos pais, já idosos, que viram a primeira casa, choraram em altas vozes quando à sua vista foram lançados os fundamentos desta casa; mas muitos levantaram as vozes com júbilo e com alegria.” (‘Ezra/Esdras 3:12)

É emocionante somente imaginar a sensação do povo ao ver o Templo do Eterno sendo reconstruído em Yerushalayim (Jerusalém), sentimento esse que esperamos ter em breve. Mas, para que isso se tornasse uma realidade, o povo trabalhou de forma incessante. Semelhantemente, se nós desejamos ver os tempos da Gueulah (Redenção), devemos esperar menos, e agir mais. Buscando a transformação em nossas vidas pessoais, estamos contribuindo para que esse tempo chegue em breve. A opção pela observância da Torah pode ser individual, mas o seu resultado é coletivo.

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Alegria Coletiva (Et. 9:22)

כַּיָּמִים אֲשֶׁר-נָחוּ בָהֶם הַיְּהוּדִים מֵאֹיְבֵיהֶם וְהַחֹדֶשׁ אֲשֶׁר נֶהְפַּךְ לָהֶם מִיָּגוֹן לְשִׂמְחָה וּמֵאֵבֶל לְיוֹם טוֹב לַעֲשׂוֹת אוֹתָם יְמֵי מִשְׁתֶּה וְשִׂמְחָה וּמִשְׁלֹחַ מָנוֹת אִישׁ לְרֵעֵהוּ וּמַתָּנוֹת לָאֶבְיֹנִים
“Como os dias em que os judeus tiveram repouso dos seus inimigos, e o mês que se lhes mudou de tristeza em alegria, e de luto em dia de festa, para que os fizessem dias de banquetes e de alegria, e de mandarem presentes uns aos outros, e dádivas aos pobres.” (Meguilah/Ester 9:22)

Mais do que gastar com banquetes, em Purim devemos nos esforçar para darmos bons presentes aos pobres. Isso nos ensina uma preciosa lição de humanidade: Como poderíamos considerar esta uma festa alegre, se não pudéssemos alegrar o coração dos menos favorecidos? Uma festa só é alegre se ela o é para todos, e não para um seleto grupo de algumas pessoas. A melhor maneira de expressar a coletividade da Torah é de forma humanitária, ajudando a quem precisa. Não há alegria maior do que esta debaixo do sol.

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Coletividade (Et. 8:6)

כִּי אֵיכָכָה אוּכַל וְרָאִיתִי בָּרָעָה אֲשֶׁר-יִמְצָא אֶת-עַמִּי וְאֵיכָכָה אוּכַל וְרָאִיתִי בְּאָבְדַן מוֹלַדְתִּי
“Pois como poderei ver o mal que sobrevirá ao meu povo? E como poderei ver a destruição da minha parentela?” (Meguilah/Ester 8:6)

Hadassa (Ester) poderia ter simplesmente se focado em pedir por sua própria vida, ou das pessoas próximas a ela. No entanto, se arriscou por todo o seu povo. Ser judeu é entender que se é parte de um coletivo não apenas nas épocas festivas, como em Purim, mas também é partilhar de suas angústias, e buscar defender o povo na hora da adversidade. O apoio ao coletivo não deve ser apenas em palavras, mas principalmente em atitudes. Pertencer a um povo é zelar por ele, a todo tempo.

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Atividade (Ex. 35:29)

כָּל-אִישׁ וְאִשָּׁה אֲשֶׁר נָדַב לִבָּם אֹתָם לְהָבִיא לְכָל-הַמְּלָאכָה אֲשֶׁר צִוָּה יהוה לַעֲשׂוֹת בְּיַד-מֹשֶׁה הֵבִיאוּ בְנֵי-יִשְׂרָאֵל נְדָבָה לַיהוה

“Todo homem e mulher, cujo coração voluntariamente se moveu a trazer alguma coisa para toda a obra que YHWH ordenara se fizesse pela mão de Moshe; assim os filhos de Israel trouxeram por oferta voluntária a YHWH.” (Shemot/Êxodo 35:29)

Muitas religiões acostumam o ser humano a ser passivo. Sentar-se num banco e receber instruções, e assistir serviços religiosos. Desde o princípio de seu estabelecimento, a fé judaica sempre foi uma ação coletiva, e participativa. Todo aquele que deseja viver a Torah deve compreender que esta é uma fé prática, e coletiva. Viver Torah é, antes de mais nada, assumir um compromisso de servir ao Eterno, de acordo com a sua capacidade.

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Coletivo (Ne. 2:3)

“E disse ao rei: Viva o rei para sempre! Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo?” (Nechemiyah/Neemias 2:3)

Nechemiyah tinha tudo. Estava na corte do palácio real, com vinho à sua disposição, e proximidade ao rei. Ou, quase tudo. Nechemiyah (Neemias) estava triste. Porque uma parte de si estava ainda rasgada, ferida. E nada era capaz de aplacar essa dor: A dor de ser um judeu numa terra estranha, e de saber que sua terra estava destruída, e o seu povo ainda padecia. Ser israelita é mais do que pensar em seu próprio conforto. É compreender que somos parte de um povo, e temos raízes numa terra. E que a nossa felicidade e realização são coletivas.

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