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O Dia Seguinte (Ec. 3:1)

לַכֹּל זְמָן וְעֵת לְכָל-חֵפֶץ תַּחַת הַשָּׁמָיִם

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.” (Qohelet/Eclesiastes 3:1)

Muitos vêem o ápice do processo de arrependimento e de perdão como sendo o Yom haKipurim (Dia das Expiações), ocorrido ontem. No entanto, o ápice começa a ocorrer justamente no dia seguinte. O processo de introspecção, reflexão, arrependimento, expressão de tristeza e pedido de perdão perante o Eterno é preciosíssimo. Com uma condição. O Eterno nos convida não a nos arrependermos, mas ao retorno (teshubhá). E o que é o retorno, senão uma mudança de atitude. Agora que refletimos sobre nossos pecados, nos humilhamos e pedimos o perdão, o que faremos no dia seguinte? Que ações concretas tomaremos para que, no ano seguinte, não estejamos pedindo perdão exatamente pelas mesmas coisas? O rito expiatório é muito mais importante para o ser humano se sentir perdoado, do que para o Eterno perdoar. E o que Ele deseja de nós, senão que o rito seja acompanhado de mudança de vida? Se tudo tem seu tempo determinado, como diz Qohelet, então é possível dizer que o dia seguinte ao Yom haKipurim marca o início do tempo de mudança. É tempo de mudar radicalmente, para melhor.

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Obtendo o Perdão (Is. 43:25)

אָנֹכִי אָנֹכִי הוּא מֹחֶה פְשָׁעֶיךָ לְמַעֲנִי וְחַטֹּאתֶיךָ לֹא אֶזְכֹּר

“Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de Mim, e dos teus pecados não me lembro.” (Yeshayahu/Isaías 43:25)

Aproximamo-nos do Dia das Expiações (Yom haKipurim), no qual buscamos o perdão do Eterno por nossas falhas e transgressões. Nessa data, jejuamos, oramos, e com o coração contrito e pesado, expomos a Ele nossas dificuldades. No entanto, é importante ter o versículo acima em mente. O Eterno nos perdoa por amor dEle próprio. Isto é, por sua infinita misericórdia e fidelidade, Ele olha para nossas falhas amorosamente e apaga nossas transgressões. Não transformemos o perdão do Eterno em ritual de simpatia, nos perguntando se oramos o suficiente, se jejuamos o suficiente, se fomos bons o suficiente em algum rito ou prática, de modo que Ele venha a nos enxergar. Cuidemos tão somente de cultivar um coração contrito, e um propósito de mudança. O rito existe para facilitar nos concentrarmos em nossas intenções, e não como régua para nos medir. O perdão vem por amor dEle, a todo aquele que perante Ele se arrepende.

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Porque o Eterno se Afasta (Gn. 3:12)

וַיֹּאמֶר הָאָדָם הָאִשָּׁה אֲשֶׁר נָתַתָּה עִמָּדִי הִוא נָתְנָה-לִּי מִן-הָעֵץ וָאֹכֵל

“Então disse Adam: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.” (Bereshit/Gênesis 3:12)

Aqui começa o ciclo de empurrar a culpa. O homem acusa a mulher de ter lhe dado o fruto para comer. A mulher acusa a serpente. Para este autor, dentro da narrativa poética do Eden, foi isso, e não o pecado em si, que levou à expulsão dos dois do paraíso. Como poderia o Eterno perdoar, se o casal não fez o básico, que era assumir o próprio erro? Sem haver consciência do próprio erro, não há arrependimento. Sem arrependimento, não há teshuvá (retorno). Muitas vezes, é mais difícil vencer o próprio orgulho e assumir o erro do que corrigi-lo. Não é o ato de errar que nos afasta da presença do Eterno. Mas, principal e fundamentalmente, a arrogância de fingir que se está certo, de culpar terceiros, e de calar a voz da própria consciência, que o Eterno nos deu como instrumento para nos manter no caminho. Vença isso, e o seu relacionamento com Ele jamais será distante.

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Tempo de Resgate (Is. 59:20)

וּבָא לְצִיּוֹן גּוֹאֵל וּלְשָׁבֵי פֶשַׁע בְּיַעֲקֹב–נְאֻם יהוה

“E virá um resgatador a Siyon e aos que em Ya’aqov se voltarem da transgressão, diz YHWH.” (Yeshayahu/Isaías 59:20)

Mesmo em meio às profecias sobre o exílio, o Eterno promete que haveria um resgatador. Ele havia de levantar alguém que seria responsável por fazer o povo retornar, e cujo cumprimento pode ser visto nos livros de ‘Ezra e NeHemyah (Esdras e Neemias). Porém, esse resgate estava condicionado ao povo deixar de lado a transgressão, e buscar a face do Criador. Semelhantemente, muitos oram incessantemente pedindo ao Criador que os liberte das adversidades. Contudo, é necessário que qualquer pedido de misericórdia seja também acompanhado com atitudes de retidão. Aquele que anda em retidão e aquele que se arrependeu de seus pecados, esses, ambos, serão resgatados. Aquele que persiste em suas transgressões precisará de mais tempo para que a lição seja assimilado.

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Arrependimento ou Desespero? (Nm. 14:40)

וַיַּשְׁכִּמוּ בַבֹּקֶר וַיַּעֲלוּ אֶל-רֹאשׁ-הָהָר לֵאמֹר הִנֶּנּוּ וְעָלִינוּ אֶל-הַמָּקוֹם אֲשֶׁר-אָמַר יהוה—כִּי חָטָאנוּ

“E levantaram-se pela manhã de madrugada, e subiram ao cume do monte, dizendo: Eis-nos aqui, e subiremos ao lugar que YHWH tem falado; porquanto havemos pecado.” (Bamidbar/Números 14:40)

Ao perceber que seriam punidos, os espias optaram por subir à terra, mesmo o Eterno tendo dito que eles não entrariam na terra. Não houve reconhecimento do pecado, pois persistiram fazendo o oposto daquilo que o Eterno ordenara. O verdadeiro arrependimento não é aquele que desesperadamente tenta refazer o que foi mal feito, por medo das consequências, mas sim aquele que pausa e pondera sobre a vontade do Eterno, e busca realizá-la. Talvez se tivessem feito isso, o Eterno os teria permitido entrar na terra.

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Pecado e Transformação (Nm. 5:7)

וְהִתְוַדּוּ אֶת-חַטָּאתָם אֲשֶׁר עָשׂוּ וְהֵשִׁיב אֶת-אֲשָׁמוֹ בְּרֹאשׁוֹ וַחֲמִישִׁתוֹ יֹסֵף עָלָיו וְנָתַן לַאֲשֶׁר אָשַׁם לוֹ

“E confessará o seu pecado que cometeu; pela sua culpa, fará plena restituição, segundo a soma total, e lhe acrescentará a sua quinta parte, e a dará àquele contra quem se fez culpado.” (Bamidbar/Números 5:7)

Enquanto muitas religiões dão excessiva ênfase na expiação, procurando de alguma maneira aliviar a culpa daquele que comete uma transgressão, o principal foco da Torah é mudança de vida, de attitude, e, principalmente, reparação do erro. Não basta o arrependimento, se nós não fizermos aquilo que está ao nosso alcance para reparar o erro, e ainda compensar aquele contra quem erramos. Quem tem possibilidade de consertar o que fez, e se nega a fazê-lo, não anda conforme os caminhos da Torah. A verdadeira mudança de vida provocada pela Torah não é a mudança de crenças intelectuais, mas sim quando o ser humano deixa de seguir o que é confortável para si, para se submeter ao Criador dos céus e da terra.

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Esforço e Sacrifício (Lv. 5:11)

וְאִם-לֹא תַשִּׂיג יָדוֹ לִשְׁתֵּי תֹרִים אוֹ לִשְׁנֵי בְנֵי-יוֹנָה וְהֵבִיא אֶת-קָרְבָּנוֹ אֲשֶׁר חָטָא עֲשִׂירִת הָאֵפָה סֹלֶת לְחַטָּאת לֹא-יָשִׂים עָלֶיהָ שֶׁמֶן וְלֹא-יִתֵּן עָלֶיהָ לְבֹנָה כִּי חַטָּאת הִוא

“Porém, se em sua mão não houver recurso para duas rolas, ou dois pombinhos, então aquele que pecou trará como oferta a décima parte de um efa de flor de farinha, para expiação do pecado; não deitará sobre ela azeite nem lhe porá em cima o incenso, porquanto é expiação do pecado;” (Wayiqra/Levítico 5:11)

Poucos compreendem que a questão da expiação do pecado não era o derramamento de sangue. Tanto que, se a família fosse pobre, em alguns casos, poderia oferecer farinha ao invés de animais, e farinha não sangra. Os animais tinham papel econômico importante, servindo de mantimento, vestimentas, e força de trabalho. Abdicar de um animal exigia grande compromisso com o arrependimento. Semelhantemente, quando transgredimos a Torah do Criador, devemos demonstrar não apenas sentimento de remorso, mas sim disposição em fazermos esforço para mudar, mesmo que isso signifique abdicar de coisas que nos favorecem.

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Resposta (Sl. 60:13)

הַוּוֹת תַּחְשֹׁב לְשׁוֹנֶךָ; כְּתַעַר מְלֻטָּשׁ עֹשֵׂה רְמִיָּה
“Dá-nos auxílio na angústia, porque vão é o socorro do homem.” (Tehilim/Salmos 60:13)

O salmista narra uma sequência de eventos: pecado, afastamento do Eterno, angústia, arrependimento, e redenção. Dentro desse contexto, afirma que vão é o socorro do homem. Muitas vezes, o Eterno permite que cheguemos a situações angustiantes, onde parece que nada será capaz de nos dar alívio ou nos resgatar. É nesse momento que o agir do Eterno, inconfundível, se faz. A libertação extraordinária não tem por objetivo ser um show da fé, mas sim deixar clara a participação do Eterno, para que entendamos que o Eterno age como fruto do nosso arrependimento, e do nosso retorno aos Seus caminhos.

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Perdão (Especial Selichot)

“Mas se o ímpio se converter de todos os pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e proceder com retidão e justiça, certamente viverá; não morrerá.” (Yechezkel/Ezequiel 18:21)

Muitas religiões prescrevem crenças, ritos ou elaboram até passos e etapas sobre como obter o perdão dos céus. Insistem que sem seus dogmas, ninguém é capaz de obter perdão. No entanto, a revelação que o Eterno deu aos profetas de Israel é bem mais simples: Arrependa-se, e você é perdoado. Arrepender-se não é sentir culpa, e sim agir de modo a tornar-se uma pessoa melhor; é tratar o pecado e procurar viver em integridade. Todo aquele que é sincero nesse processo é automaticamente perdoado pelo Eterno, e seus pecados são esquecidos.

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Compaixão (Especial Selichot)

“Se tu, Yah, marcasses as iniquidades, Adonai, quem resistiria?” (Tehilim/Salmos 130:3)

O salmista estava profundamente angustiado. Seus pecados eram tão grandes que ele se descrevia como clamando das profundezas. Ainda assim, o salmista é confortado pelo fato de que o Eterno é longânimo e misericordioso. Não existe pecado para o qual não haja perdão. Se você se arrepender hoje, com sinceridade, das suas transgressões, o Eterno não entrará em juízo com você. Corrija sua vida, e as suas transgressões serão automaticamente perdoadas. Porque não há nada maior do que o amor e a misericórdia do Elohim de Israel.

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