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Angústia e Proteção (Sl. 34:5)

דָּרַשְׁתִּי אֶת-יְהוָה וְעָנָנִי וּמִכָּל-מְגוּרוֹתַי הִצִּילָנִי

“Busquei a ADONAY, e Ele me respondeu; livrou-me de todos os meus temores.” (Tehilim/Salmos 34:5)

Quando somos crianças, temos por hábito confiar em nossos pais para todos os nossos temores. Crianças pequenas ao menor sinal de algo ruim correm para abraçar as pernas dos pais. Ao crescermos, os motivos dos temores aumentam exponencialmente, e já não sentimos mais que nossos pais possam nos proteger. A infância do ser humano não foi assim projetada por acaso. Devemos buscar emular esse comportamento, dessa vez nos direcionando ao Criador. Conte a Ele os seus temores, e permita que Ele seja o teu alívio em momentos de angústia.

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A Angústia do Deserto (Ex. 17:2)

וַיָּרֶב הָעָם עִם-מֹשֶׁה וַיֹּאמְרוּ תְּנוּ-לָנוּ מַיִם וְנִשְׁתֶּה וַיֹּאמֶר לָהֶם מֹשֶׁה מַה-תְּרִיבוּן עִמָּדִי מַה-תְּנַסּוּן אֶת-יהוה

“Então contendeu o povo com Moshé, e disse: Dá-nos água para beber. E Moshé lhes disse: Por que contendeis comigo? Por que tentais a ADONAY?” (Êxodo/Shemot 17:2)

Por que a Torá diz que o povo de Israel estava tentando o Eterno, se eles tão somente tinham sede. A resposta certamente está no fato de que o povo havia levado provisões de água. Afinal, sabiam que o itinerário era de alguns dias. Da mesma forma que, no capítulo anterior, reclamavam por não haver pão ou carne, mesmo tendo levado consigo massa, e até mesmo seus próprios rebanhos. A questão tão somente era a de que o povo, ao se defrontar com uma situação inédita de estar em um lugar sem recursos, temeu que eles pudessem se esgotar rapidamente, e por isso murmuraram, ao invés de confiar que o Eterno lhes daria provisão. Semelhantemente, muitas vezes o Eterno nos sustenta de forma inacreditável, não deixando faltar nada. Mas, ao olharmos para um deserto à nossa volta, tememos o dia de amanhã. E se os suprimentos se esgotarem? Antes de fazer essa pergunta, há outra mais importante: Quando foi que o Eterno te desamparou?

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Angústia e Gratidão (Nm. 14:2)

וַיִּלֹּנוּ עַל-מֹשֶׁה וְעַל-אַהֲרֹן כֹּל בְּנֵי יִשְׂרָאֵל וַיֹּאמְרוּ אֲלֵהֶם כָּל-הָעֵדָה לוּ-מַתְנוּ בְּאֶרֶץ מִצְרַיִם אוֹ בַּמִּדְבָּר הַזֶּה לוּ-מָתְנוּ

“E todos os filhos de Israel murmuraram contra Moshe e contra Aharon; e toda a congregação lhes disse: Quem dera tivéssemos morrido na terra do Egito! ou, mesmo neste deserto!” (Bamidbar/Números 14:2)

O que retardou a entrada dos filhos de Israel na terra da promessa não foi terem dirigido seu sofrimento ao Eterno, mas sim a forma como o fizeram. Poderiam ter apresentado suas petições, sem murmurarem. Suas reclamações, no entanto, indicavam algo muito delicado e que o Eterno não tolera: Ingratidão. Há quem clame ao Eterno em sua angústia, e há quem seja ingrato perante tudo que Ele fez porque, na concepção da pessoa, não foi o suficiente. A gratidão é uma das maiores chaves para o bom relacionamento com o Eterno. Você não precisa negar sua angústia, seus sofrimentos, para ser grato a Ele pelo que Ele já fez. Antes de pedir mais a Ele, reflita: Você expressa sua gratidão pelo que já tem?

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Liberdade e Ação (Ex. 12:11)

וְכָכָה תֹּאכְלוּ אֹתוֹ–מָתְנֵיכֶם חֲגֻרִים נַעֲלֵיכֶם בְּרַגְלֵיכֶם וּמַקֶּלְכֶם בְּיֶדְכֶם וַאֲכַלְתֶּם אֹתוֹ בְּחִפָּזוֹן פֶּסַח הוּא ליהוה

“Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; este é o Pessah de ADONAY.” (Shemo/tÊxodo 12:11)

O povo de Israel é instruído a fazer a sua última refeição no Egito apressadamente, com os sapatos nos pés e o cajado na mão. Isso significa que eles deveriam estar prontos para a ação do Eterno, que os libertaria da escravidão. Analogamente, há situações em nossas vidas que nos aprisionam, e nos trazem angústia. É comum que clamemos ao Eterno para nos libertarmos, ao passo em que nós mesmos nos demoramos naquela situação. O Eterno nos concede liberdade, mas somente quando fazemos o que está ao nosso alcance para deixar aquela situação apressadamente.

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Justiça na Angústia (Gn. 37:27)

לְכוּ וְנִמְכְּרֶנּוּ לַיִּשְׁמְעֵאלִים וְיָדֵנוּ אַל-תְּהִי-בוֹ כִּי-אָחִינוּ בְשָׂרֵנוּ הוּא וַיִּשְׁמְעוּ אֶחָיו

“Vinde e vendamo-lo a estes ismaelitas, e não seja nossa mão sobre ele; porque ele é nosso irmão, nossa carne. E seus irmãos obedeceram.” (Bereshit/Gênesis 37:27)

Devido ao ciúme, os filhos de Israel venderam o próprio irmão como escravo aos ismaelitas. Pensaram que teriam paz de espírito ao se livrarem daquela situação. Hoje, não é incomum que as pessoas em momento de angústia e incômodo, revejam seus valores pessoais, e se permitam cometer liberdades para com eles. É muito fácil ser justo e bondoso na abundância e na tranquilidade. Mas, é no fogo que se conhece o caráter do homem. Diante das adversidades da vida, como é o seu agir? Aqueles que ainda agem de forma iníqua voltarão ao fogo, para serem depurados. Para que pudessem desfrutar da abundância, os irmãos de Yossef (José) precisaram passar por várias provações.

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Limite Tolerável (Js. 1:14)

נְשֵׁיכֶם טַפְּכֶם וּמִקְנֵיכֶם יֵשְׁבוּ בָּאָרֶץ אֲשֶׁר נָתַן לָכֶם מֹשֶׁה בְּעֵבֶר הַיַּרְדֵּן וְאַתֶּם תַּעַבְרוּ חֲמֻשִׁים לִפְנֵי אֲחֵיכֶם כֹּל גִּבּוֹרֵי הַחַיִל וַעֲזַרְתֶּם אוֹתָם

“Vossas mulheres, vossos meninos e vosso gado fiquem na terra que Moshe vos deu deste lado do Jordão; porém vós passareis armados na frente de vossos irmãos, todos os valentes e valorosos, e ajudá-los-eis.” (Yehoshua’/Josué 1:14)

Yehoshua’ (Josué) exigiu dos israelitas das tribos de Re’uven, Gad e Menashe que cumprissem o seu compromisso de lutarem ao lado de seus irmãos. Todavia, permitiu a eles que deixassem suas mulheres, filhos e bens onde estavam. O compromisso não exigia deles que fossem junto com tais coisas, pois sabia que isso seria um pedido excessivo. Como poderiam subir à batalha, sabendo que teriam deixado para trás sua propriedade? Um dos sinais dos compromissos que o Eterno exige de nós é justamente o de que não será um compromisso que exija de você algo cruel, ou excessivo. Pois o Eterno sempre está sensível às nossas questões e dificuldades. Se algo que você supõe vir do Eterno está te afligindo além do limite suportável, há algo errado, e deve-se supor que tal coisa não venha dEle. É importante estar atento.

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Progredindo (Dt. 29:4)

וָאוֹלֵךְ אֶתְכֶם אַרְבָּעִים שָׁנָה בַּמִּדְבָּר לֹא-בָלוּ שַׂלְמֹתֵיכֶם מֵעֲלֵיכֶם וְנַעַלְךָ לֹא-בָלְתָה מֵעַל רַגְלֶךָ

“Quarenta anos vos fiz andar pelo deserto; não se envelheceu sobre vós a vossa roupa, nem o sapato no vosso pé.” (Devarim/Deuteronômio 29:4)

A frase acima é a expressão do cuidado do Eterno para com o povo. Não lhes faltou nem mesmo vestimenta enquanto caminhavam pelo deserto. Mesmo assim, foi necessário perambular pelas regiões áridas até que o povo estivesse preparado para adentrar a terra. Frequentemente, o Eterno nos faz passar pelas mesmas experiências, e nossa vida parece andar em círculos. Porque Ele deseja que amadureçamos para que estejamos prontos para o próximo desafio. O povo andou em círculos, mas não estava estagnado, e sim se depurando a cada passo. E mesmo quando a vida deles parecia não andar para frente, o Eterno estava ali, cuidando de cada etapa e sustentando aqueles a quem Ele amava. Assim também Ele faz conosco. Se estivermos estagnados, é sinal de que há algo a evoluir. Mesmo assim, Ele cuida de nós até que estejamos prontos para o próximo passo.

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Angústia e Libertação (Dt. 26:7)

וַנִּצְעַק אֶל-יהוה אֱלֹהֵי אֲבֹתֵינוּ וַיִּשְׁמַע יהוה אֶת-קֹלֵנוּ וַיַּרְא אֶת-עָנְיֵנוּ וְאֶת-עֲמָלֵנוּ וְאֶת-לַחֲצֵנוּ

“Então clamamos a YHWH Elohim de nossos pais, e YHWH ouviu a nossa voz, e atentou para a nossa aflição, o nosso trabalho, e a nossa opressão.” (Devarim/Deuteronômio 26:7)

Abandono, impotência e angústia. Essas são as sensações que muitas vezes temos ao passar por tribulações, tais quais o povo passou no Egito, quando era escravo e sem perspectiva. Porém, o Eterno ouviu o clamor dos filhos de Israel, e não tardou em libertá-los. Nos momentos em que nos sentimos mais frágeis, Ele se revela forte. Ele é o amparo infalível, sobre o qual podemos nos apoiar nas adversidades. Se nos focarmos nEle, perceberemos que jamais estamos sozinhos ou impotentes em nossas angústias. Ele é conosco, e por isso Israel não precisa temer. Pois não há Libertador como o nosso Elohim.

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Diante da Angústia (Dn. 1:2)

וַיִּתֵּן אֲדֹנָי בְּיָדוֹ אֶת-יְהוֹיָקִים מֶלֶךְ-יְהוּדָה וּמִקְצָת כְּלֵי בֵית-הָאֱלֹהִים וַיְבִיאֵם אֶרֶץ-שִׁנְעָר בֵּית אֱלֹהָיו; וְאֶת-הַכֵּלִים הֵבִיא בֵּית אוֹצַר אֱלֹהָיו

“E Adonay entregou nas suas mãos a Yehoyaqim, rei de Yehudah, e uma parte dos utensílios da Casa de Elohim, e ele os levou para a terra de Shinar, para a casa do seu deus, e pôs os utensílios na casa do tesouro do seu deus.” (Daniel 1:2)

O livro de Daniel se inicia de forma extremamente dolorosa: O próprio Eterno entregou Yehudah (Judá) e o seu governo nas mãos do inimigo. No entanto, o livro se encerra com a promessa de livramento e dias melhores. A derrota de Israel foi necessária, para o seu aprendizado, e crescimento. Assim também, diante da angústia, devemos confiar no Criador, e aceitar que Ele sabe o que é melhor para nós. Permitir que soframos derrotas não significa que Ele nos rejeitou ou nos abandonou.

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Coletividade (Et. 8:6)

כִּי אֵיכָכָה אוּכַל וְרָאִיתִי בָּרָעָה אֲשֶׁר-יִמְצָא אֶת-עַמִּי וְאֵיכָכָה אוּכַל וְרָאִיתִי בְּאָבְדַן מוֹלַדְתִּי
“Pois como poderei ver o mal que sobrevirá ao meu povo? E como poderei ver a destruição da minha parentela?” (Meguilah/Ester 8:6)

Hadassa (Ester) poderia ter simplesmente se focado em pedir por sua própria vida, ou das pessoas próximas a ela. No entanto, se arriscou por todo o seu povo. Ser judeu é entender que se é parte de um coletivo não apenas nas épocas festivas, como em Purim, mas também é partilhar de suas angústias, e buscar defender o povo na hora da adversidade. O apoio ao coletivo não deve ser apenas em palavras, mas principalmente em atitudes. Pertencer a um povo é zelar por ele, a todo tempo.

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