Arquivo da categoria: Torá

Confiando no Condutor (Ex. 13:17)

וַיְהִי בְּשַׁלַּח פַּרְעֹה אֶת-הָעָם וְלֹא-נָחָם אֱלֹהִים דֶּרֶךְ אֶרֶץ פְּלִשְׁתִּים כִּי קָרוֹב הוּא כִּי אָמַר אֱלֹהִים פֶּן-יִנָּחֵם הָעָם בִּרְאֹתָם מִלְחָמָה–וְשָׁבוּ מִצְרָיְמָה

“E aconteceu que, quando Faraó deixou ir o povo, Elohim não os levou pelo caminho da terra dos filisteus, que estava mais perto; porque Elohim disse: Para que porventura o povo não se arrependa, vendo a guerra, e volte ao Egito.” (Shemot/Êxodo 13:17)

Nossos antepassados precisaram fazer o caminho mais longo, porque não estavam preparados para ver a guerra. Talvez, contudo, alguns deles tenham se indagado quanto ao porquê de tomarem o caminho mais longo. O mesmo frequentemente acontece conosco. Em diversas circunstâncias, o Eterno nos conduz pelo caminho mais longo. Muitas vezes passamos as noites em claro, e pranteamos, porque não entendemos a razão do prolongamento de nosso sofrimento. No entanto, a razão frequentemente está no fato de que o Eterno está nos preparando, ou mesmo preparando as circunstâncias ao redor de nós, para por fim nos conduzir da melhor maneira. Nesses momentos, é importante ter fé, e confiar no Eterno. Mesmo quando o caminho é pavimentado por incertezas. No momento certo, Moshé (Moisés) esclareceu as razões do Eterno, de modo que as gerações vindouras conseguem, hoje, compreender as razões do Eterno. O mesmo ocorrerá conosco. No momento certo, o Eterno nos fará conhecer o porquê de nos conduzir por caminhos aparentemente longos e tortuosos.

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Lembrar e Confiar (Ex. 13:9)

וְהָיָה לְךָ לְאוֹת עַל-יָדְךָ וּלְזִכָּרוֹן בֵּין עֵינֶיךָ לְמַעַן תִּהְיֶה תּוֹרַת יהוה בְּפִיךָ כִּי בְּיָד חֲזָקָה הוֹצִאֲךָ יהוה מִמִּצְרָיִם

“E te será por sinal sobre tua mão e por lembrança entre teus olhos, para que a Torá de ADONAY esteja em tua boca; porquanto com mão forte ADONAY te tirou do Egito.” (Shemot/Êxodo 13:9)

A Torá nos diz que a ritualística do Pessah (Páscoa) tem por objetivo ser um sinal para nós. O sinal na mão tem por objetivo conduzir nossas ações. E o sinal entre os olhos, para conduzir nosso foco. E ambos devem estar direcionados para a Torá (Instrução) do Eterno. Muitos pensam que isso seria por gratidão, supondo que já que o Eterno nos livrou, então devemos a Ele obediência. Mas o motivo da Torá é outro: Ao apontar para o livramento, a Torá está nos lembrando a Instrução do Eterno é para o nosso bem, e para o nosso livramento. Nossos pais confiaram nEle, e por isso conseguiram sair do Egito. Da mesma forma, se desejamos ter uma vida feliz e realizada, devemos seguir o Eterno, pois Ele sempre nos conduz para o que há de melhor.

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Deixando a Escravidão do Passado (Ex. 12:10)

וְלֹא-תוֹתִירוּ מִמֶּנּוּ עַד-בֹּקֶר וְהַנֹּתָר מִמֶּנּוּ עַד-בֹּקֶר בָּאֵשׁ תִּשְׂרֹפוּ

“E nada dele deixareis até amanhã; mas o que dele ficar até amanhã, queimareis no fogo.” (Shemot/Êxodo 12:10)

Queimar um cordeiro ou carneiro era uma grande afronta aos egípcios, pois uma de suas divindades tinha a forma de tal animal. Porém, além do juízo sobre os deuses do Egito, essa passagem também traz uma outra lição importante. Os filhos de Israel, no começo de sua estadia no Egito, haviam se tornado pastores de rebanho. Queimar o que restou do cordeiro cozido representava libertar-se de absolutamente tudo que dizia respeito à sua vida no Egito. Jamais estaremos prontos para as novas etapas em nossas vidas se não estivermos dispostos a deixar para trás tudo que dizia respeito à etapa anterior. Há pessoas que sofrem, porque apesar de terem fisicamente deixado a escravidão de uma situação pregressa, seus corações ainda continuam cativos, porque se recusam a enxergar, aceitar ou agir de forma a colocar um ponto final definitivo naquilo que passou. Não tenha receio de deixar o passado para trás, pois o maior perigo está em tornar-se escravo dele.

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Lembrando do Livramento (Ex. 12:51)

וַיְהִי בְּעֶצֶם הַיּוֹם הַזֶּה הוֹצִיא יהוה אֶת-בְּנֵי יִשְׂרָאֵל מֵאֶרֶץ מִצְרַיִם–עַל-צִבְאֹתָם

“E aconteceu naquele mesmo dia que ADONAY tirou os filhos de Israel da terra do Egito, segundo os seus exércitos.” (Shemot/Êxodo 12:51)

O ritual da Festa dos Ázimos, com todas as suas prescrições, tais como os pães ázimos, as ervas amargas, os sete dias, é riquíssimo em simbolismo. Todavia, é importante não perder o foco do cerne da festividade, que é o livramento efetuado pelo Eterno. A importância de se lembrar disso não é apenas para glorificar o Criador. É também para que nos recordemos de que, mesmo durante as situações mais improváveis, quando não há mais esperança para o ser humano, o Sagrado, Bendito seja Ele, atua e dá livramento aos seus servos. Essa lição nos ensina a confiar no Seu agir, pois a Sua vontade sempre vai na direção daquilo que é o melhor para nós.

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Reverência e Contaminação (Lv. 15:31)

וְהִזַּרְתֶּם אֶת-בְּנֵי-יִשְׂרָאֵל, מִטֻּמְאָתָם; וְלֹא יָמֻתוּ בְּטֻמְאָתָם, בְּטַמְּאָם אֶת-מִשְׁכָּנִי אֲשֶׁר בְּתוֹכָם

“Assim separareis os filhos de Israel das suas imundícias, para que não morram nas suas imundícias, contaminando o meu tabernáculo, que está no meio deles.” (Wayiqrá/Levítico 15:31)

Alguns pensam que a Torá quando fala sobre imundícias se refere a coisas que causem algum tipo de dano espiritual. No entanto, várias das coisas que são enumeradas como geradoras de contaminação são corriqueiras. Por que então a Torá diz que os filhos de Israel deveriam cuidar para não morrer? A resposta disso está no simbolismo do respeito para com o Eterno. Na cultura semita, apresentar-se imundo diante de uma autoridade era considerado uma ofensa terrível. Assim como tomamos o cuidado de respeitar autoridades humanas, também devemos igualmente buscar respeitar o Rei do Universo. O Eterno não é nosso colega, e sim nosso Senhor. Não podemos confundir buscar intimidade com Ele, com agir para com Ele de forma irreverente. A medida que progredimos em nossa espiritualidade, o nosso zelo para com Ele também deve acompanhar essa evolução.

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Substituição (Lv. 14:42)

וְלָקְחוּ אֲבָנִים אֲחֵרוֹת וְהֵבִיאוּ אֶל-תַּחַת הָאֲבָנִים וְעָפָר אַחֵר יִקַּח וְטָח אֶת-הַבָּיִת

“Depois tomarão outras pedras, e as porão no lugar das primeiras pedras; e outro barro se tomará, e a casa se rebocará.” (Wayiqrá/Levítico 14:42)

A passagem que fala sobre a casa com Sara`at, um tipo de enfermidade hoje extinto, traz uma lição importante: Para que a casa pude se tornar limpa, era necessário que se removesse as pedras contaminadas, e que se colocasse pedras limpas em seu lugar. Analogamente, há momentos em que somente poderemos de fato tornar nossas vidas limpas e retas diante do Criador se tivermos a coragem de remover aquilo que contamina, e repor com coisas puras. Amizades, empregos, convivências, regiões onde se mora, entre outros devem ser constantemente avaliados sob o prisma da retidão. Se constantemente se tornam fonte de transgressão, não hesite em substituir por algo que assegure a integridade perante o Criador.

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Avaliando o que é Negativo (Lv. 14:36)

וְצִוָּה הַכֹּהֵן וּפִנּוּ אֶת-הַבַּיִת בְּטֶרֶם יָבֹא הַכֹּהֵן לִרְאוֹת אֶת-הַנֶּגַע וְלֹא יִטְמָא כָּל-אֲשֶׁר בַּבָּיִת וְאַחַר כֵּן יָבֹא הַכֹּהֵן לִרְאוֹת אֶת-הַבָּיִת

“E o sacerdote ordenará que desocupem a casa, antes que entre para examinar a praga, para que tudo o que está na casa não seja contaminado; e depois entrará o sacerdote, para examinar a casa.” (Wayiqrá/Levítico 14:36)

Nessa passagem, observa-se que a casa afligida pela praga da sara`at (geralmente traduzida por ‘lepra’) precisaria ser desocupada, para que pudesse ser examinada. Por mais trabalhoso, ou mesmo doloroso, que fosse, o dono da casa deveria desocupá-la. Caso contrário, a casa poderia contaminar o restante de seus pertences, ou o próprio dono. Analogamente, muitas vezes precisamos nos dar conta de que certas situações em nossas vidas precisam ser deixadas, para que não contaminem coisas ainda mais importantes. Faça uma reflexão sobre todas as áreas da sua vida. Existe alguma que com frequência afronta os seus princípios morais e espirituais? Caso afirmativo, é melhor encontrar uma alternativa para deixar aquela situação, antes que aquilo que é negativo venha a contaminar outras coisas.

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Princípio de um Novo Ciclo (Lv. 12:3)

וּבַיּוֹם הַשְּׁמִינִי יִמּוֹל בְּשַׂר עָרְלָתוֹ

“E no dia oitavo se circuncidará ao menino a carne do seu prepúcio.” (Wayiqrá/Levítico 12:3)

O número oito na cultura semita indica o início de um novo ciclo. Para o menino, é um novo começo, como cidadão de uma aliança nacional. Mas não é o único. A vida está repleta de ciclos, e de novos começos. A cada novo começo, experimentamos a oportunidade de um relacionamento diferente com o Criador. Reconhecer os novos começos é fundamental. É preciso sabedoria para reconhecer o fim de um ciclo, e o começo de uma nova jornada. Não devemos temer novas jornadas, pois elas têm por objetivo o nosso aprimoramento. Assim como para o menino recém-inserido na aliança, novas jornadas estão repletas de novas oportunidades, se estivermos dispostos a encarar os novos desafios.

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Sacrifício e Gratidão (Lv. 3:2)

וְסָמַךְ יָדוֹ עַל-רֹאשׁ קָרְבָּנוֹ וּשְׁחָטוֹ פֶּתַח אֹהֶל מוֹעֵד וְזָרְקוּ בְּנֵי אַהֲרֹן הַכֹּהֲנִים אֶת-הַדָּם עַל-הַמִּזְבֵּחַ–סָבִיב

“E porá a sua mão sobre a cabeça da sua oferta, e a degolará diante da porta da tenda da congregação; e os filhos de Aharon, os kohanim, espargirão o sangue sobre o altar em redor.” (Wayiqrá/Levítico 3:2)

É surpreendente que uma oferta que não é de expiação de pecados tenha a prática do colocar a mão sobre a oferta. Principalmente considerando que a oferta de shelamim (pacífica) era voluntária, resultante de um voto feito ao Eterno. Por que colocar a mão sobre a cabeça, indicando substituição? A resposta pode estar no fato de indicar a nossa compreensão de que, por tudo que o Eterno nos provê, deveríamos a todo momento através de nossas vidas. Mesmo que nossas tentativas sejam imperfeitas, não devemos nos perder de foco essa realidade tão fundamental. E a chave para aprimoramento dessa questão é manter-se sempre grato ao Criador.

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Servir em Prioridade (Lv. 2:3)

וְהַנּוֹתֶרֶת מִן-הַמִּנְחָה–לְאַהֲרֹן וּלְבָנָיו קֹדֶשׁ קָדָשִׁים מֵאִשֵּׁי יהוה

“E o que sobejar da oferta de cereais, será de Aharon e de seus filhos; coisa santíssima é, das ofertas queimadas a ADONAY.” (Wayiqrá/Levítico 2:3)

Há uma preciosa lição a ser aprendida do fato de que, das ofertas de cereais, o que sobrasse seria de Aharon (Aarão) e seus filhos. A oferta não deveria ser primeiro destinada ao sacerdote, como frequentemente ocorria na cultura do Oriente Médio, mas o que sobrasse. A prioridade das nossas ações de serviço ao Eterno devem sempre ser Ele, e o executar a Sua vontade. Qualquer outra motivação humana, mesmo se for nobre, deve ser secundária, em relação ao serviço do Criador. O que conduz a uma reflexão: O servir o Criador deve ser sempre a principal motivação de tudo aquilo que fazemos nesta vida. Embora a Torá reconheça que há outras necessidades, elas sempre devem estar submissas à nossa missão enquanto servos do Altíssimo.

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