Arquivo da categoria: Neḇi’im

Redenção e Coragem (Ed. 6:19)

גַּם טוֹבֹתָיו הָיוּ אֹמְרִים לְפָנַי וּדְבָרַי הָיוּ מוֹצִיאִים לוֹ אִגְּרוֹת שָׁלַח טוֹבִיָּה לְיָרְאֵנִי

“E os filhos do cativeiro celebraram o PessaH no dia catorze do primeiro mês.” (`Ezra/Esdras 6:19)

A alegria em Jerusalém era enorme. O povo judeu havia sido remido do cativeiro babilônio, e celebraria o seu primeiro PessaH (Páscoa) após o exílio. Pode-se observar a mesma alegria nos olhos dos descendentes dos judeus da Inquisição, quando celebram o PessaH após gerações de afastamento de suas origens. PessaH é uma ocasião muito propícia para tamanha alegria, pois é justamente a comemoração da redenção. Uma festa com uma importante mensagem: O Eterno nunca nos abandonará. Que essa mensagem possa estar nos corações de todos aqueles que, como os pioneiros após o exílio, tanto egípcio quanto babilônio, encararam a árdua missão de restaurar o que havia sido destruído. Que a geração da redenção dos descendentes da Inquisição possa encontrar a mesma coragem, com alegria e determinação.

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Um PessaH Especial (2 Rs. 23:22)

כִּי לֹא נַעֲשָׂה כַּפֶּסַח הַזֶּה מִימֵי הַשֹּׁפְטִים אֲשֶׁר שָׁפְטוּ אֶת-יִשְׂרָאֵל וְכֹל יְמֵי מַלְכֵי יִשְׂרָאֵל–וּמַלְכֵי יְהוּדָה

“Porque nunca se celebrou tal Pessa’h como esta desde os dias dos juízes que julgaram a Israel, nem em todos os dias dos reis de Israel, nem tampouco dos reis de Yehudá.” (Melakhim Bet/2 Reis 23:22)

O que fez esse Pessa’h (Páscoa) ser tão especial? Quando se observa o contexto deste capítulo, é possível perceber que Yoshiyahu (Josias) realizou uma profunda obra de reconduzir o povo ao Eterno, numa época em que Israel estava perdido em meio à idolatria. Nada há que possa tornar o Pessa’h mais especial do que o encontro do Eterno com os seus servos. Há quem pense que jantares exuberantes possam tornar a comemoração mais elevada. Ledo engano! A melhor maneira de celebrar é voltando os corações para o Criador, em alegria e júbilo porque Ele é por nós. Mesmo a mais singela festividade se elevará aos céus, caso aqueles que a realizam tenham por compromisso buscar a face do Altíssimo.

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Argumentando com o Eterno (Jó 40:2)

הֲרֹב עִם-שַׁדַּי יִסּוֹר מוֹכִיחַ אֱלוֹהַּ יַעֲנֶנָּה

“Ainda queres continuar a argumentar com o Shaday? Ou cedes? Se pretendes arvorar-te em crítico de Eloah,então responde a isto tudo.” (Iyobh/Jó 40:2)

É muito difícil para o ser humano compreender, a todo momento, a mente dAquele que é Infinito, que enxerga todas as coisas, e perante Quem passado, presente e futuro, se apresentam simultaneamente. No entanto, muitos têm por hábito querer transformar suas próprias vontades e seus próprios conceitos na vontade do Criador. Ao invés de buscarem os Seus caminhos e aceitarem, com humildade, a Sua vontade, se recusam a desistir, esperando que o Eterno cederá à vontade deles. Esse tipo de posicionamento só gera frustração e sofrimento. A primeira medida a tomar se alguém deseja se tornar um servo do Altíssimo é aprender a aceitar a vontade dEle acima de qualquer outra. Somente assim seremos capazes de melhor servi-Lo, e de realmente encontrarmos o verdadeiro propósito de nossas vidas.

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Esforço x Resultado (2 Rs. 14:3)

וַיַּעַשׂ הַיָּשָׁר בְּעֵינֵי יהוה–רַק לֹא כְּדָוִד אָבִיו כְּכֹל אֲשֶׁר-עָשָׂה יוֹאָשׁ אָבִיו עָשָׂה

“E fez o que era reto aos olhos do Senhor, ainda que não como seu pai Davi; fez, porém, conforme tudo o que fizera Yo’ash seu pai.” (Melakhim Bet/2 Reis 14:3)

Esta passagem das Escrituras é profundamente reveladora. Amasyahu (Amazias) foi um rei reto aos olhos do Eterno. Ainda que não tenha atingido o patamar de Dawid, andou em integridade segundo o que lhe havia ensinado seu pai. Frequentemente, nos frustramos porque não conseguimos atingir determinados patamares de santidade. No entanto, o Eterno nos avalia segundo o contexto em que estamos inseridos. Amasyahu não teve condições de fazer tanto quanto poderia, se seu pai o tivesse instruído melhor. Contudo, o Eterno não avalia o resultado obtido, mas sim o grau de esforço para se chegar a esse patamar. E, por razão disso, Amasyahu foi considerado justo perante o Criador. Preocupe-se com o esforço, e não com o resultado. Pois assim você será avaliado(a) perante o Juiz de todas as coisas.

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Perseverando no Caminho (2 Rs. 10:28)

וַיַּשְׁמֵד יֵהוּא אֶת-הַבַּעַל מִיִּשְׂרָאֵל

“E assim Yehu destruiu a Ba`al de Israel.” (Melakhim Bet/2 Reis 10:28)

Yehu foi um rei extraordinário. Pôs fim a todo o culto a Ba`al que havia se alastrado no Reino do Norte, pelas mãos de AHab (Acabe). Todavia, logo em seguida observamos pelas Escrituras que Yehu não prosseguiu em fidelidade ao Eterno, e Israel acabou por sofrer em seu domínio. Infelizmente, a situação de Yehu é muito comum. Muitos são os que, em dado momento, andam em retidão perante o Eterno, mas ficam estagnados em sua vida espiritual, pois não estão dispostos a deixar as práticas de outrora. Ser fiel no princípio de uma caminhada é louvável, mas não podemos descuidar, para que nos mantenhamos no caminho da retidão. É preciso evitar que o descuido nos leve novamente ao estado em que estávamos originalmente.

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Abatimento e Transgressão (1 Rs. 21:4)

יָּבֹא אַחְאָב אֶל-בֵּיתוֹ סַר וְזָעֵף עַל-הַדָּבָר אֲשֶׁר-דִּבֶּר אֵלָיו נָבוֹת הַיִּזְרְעֵאלִי וַיֹּאמֶר לֹא-אֶתֵּן לְךָ אֶת-נַחֲלַת אֲבוֹתָי וַיִּשְׁכַּב עַל-מִטָּתוֹ וַיַּסֵּב אֶת-פָּנָיו וְלֹא-אָכַל לָחֶם

“Então AHabh veio desgostoso e indignado à sua casa, por causa da palavra que Nabhot, o jizreelita, lhe AHabh, quando disse: Não te darei a herança de meus pais. E deitou-se na sua cama, e voltou o rosto, e não comeu pão.” (Melakhim Alef/1 Reis 21:4)

AHabh (Acabe) era rei sobre Israel, e tinha muitas vinhas à sua disposição. No entanto, cobiçou aquilo que não poderia ter: a vinha de seu vizinho Nabhot (Nabote). E justamente aí esteve o princípio de uma transgressão gravíssima, que levaria à sua ruína. É saudável que o ser humano almeje conquistas, pois elas o estimulam a prosseguir se aperfeiçoando. Porém, levado ao extremo, o sentimento de frustração devido ao que não tem pode levá-lo à sua destruição. É importante sempre refletir sobre o que temos, para que a frustração do que não temos não nos tire a felicidade. Se AHabh (Acabe) tivesse atentado para o que tinha a seu dispor, e se alegrado perante o Eterno, teria sido capaz não só de ser mais realizado, como também de evitar por tudo a perder.

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Sinal e Ansiedade (Is. 7:16)

כִּי בְּטֶרֶם יֵדַע הַנַּעַר מָאֹס בָּרָע–וּבָחֹר בַּטּוֹב תֵּעָזֵב הָאֲדָמָה אֲשֶׁר אַתָּה קָץ מִפְּנֵי שְׁנֵי מְלָכֶיהָ

“Na verdade, antes que este menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra, de que te enfadas, será desamparada dos seus dois reis.” (Yeshayahu/Isaías 7:16)

A profecia da jovem que iria conceber o menino, chamado Imanu’el, revela que antes do menino atingir maturidade, o reino de Yehudá (Judá) seria liberto dos reis da Síria e de Efrayim. Mesmo recebendo um sinal positivo, o rei Ahaz (Acaz) ainda teria que aguardar anos, até que o menino crescesse, e a guerra cessasse! Mesmo tendo um sinal positivo do Eterno, frequentemente nos é doloroso aguardar os desdobramentos, e certamente motivo de muita ansiedade. Para ajudar a aliviar tal ansiedade, nossos sábios da antiguidade nos deram a receita: Recordar dos feitos do Eterno, tanto em nossas vidas quanto nas vidas de nossos pais. Lembrar de suas ações renova as nossas esperanças, e nos dá forças para que possamos seguir esperando, até atingirmos a vitória.

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Limite Tolerável (Js. 1:14)

נְשֵׁיכֶם טַפְּכֶם וּמִקְנֵיכֶם יֵשְׁבוּ בָּאָרֶץ אֲשֶׁר נָתַן לָכֶם מֹשֶׁה בְּעֵבֶר הַיַּרְדֵּן וְאַתֶּם תַּעַבְרוּ חֲמֻשִׁים לִפְנֵי אֲחֵיכֶם כֹּל גִּבּוֹרֵי הַחַיִל וַעֲזַרְתֶּם אוֹתָם

“Vossas mulheres, vossos meninos e vosso gado fiquem na terra que Moshe vos deu deste lado do Jordão; porém vós passareis armados na frente de vossos irmãos, todos os valentes e valorosos, e ajudá-los-eis.” (Yehoshua’/Josué 1:14)

Yehoshua’ (Josué) exigiu dos israelitas das tribos de Re’uven, Gad e Menashe que cumprissem o seu compromisso de lutarem ao lado de seus irmãos. Todavia, permitiu a eles que deixassem suas mulheres, filhos e bens onde estavam. O compromisso não exigia deles que fossem junto com tais coisas, pois sabia que isso seria um pedido excessivo. Como poderiam subir à batalha, sabendo que teriam deixado para trás sua propriedade? Um dos sinais dos compromissos que o Eterno exige de nós é justamente o de que não será um compromisso que exija de você algo cruel, ou excessivo. Pois o Eterno sempre está sensível às nossas questões e dificuldades. Se algo que você supõe vir do Eterno está te afligindo além do limite suportável, há algo errado, e deve-se supor que tal coisa não venha dEle. É importante estar atento.

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Soberba x Redenção (Ob. 1:3)

זְדוֹן לִבְּךָ הִשִּׁיאֶךָ שֹׁכְנִי בְחַגְוֵי-סֶלַע מְרוֹם שִׁבְתּוֹ אֹמֵר בְּלִבּוֹ מִי יוֹרִדֵנִי אָרֶץ

“A soberba do teu coração te enganou, como o que habita nas fendas das rochas, na sua alta morada, que diz no seu coração: Quem me derrubará em terra?” (‘Ovadya/Obadias 1:3)

O profeta ‘Ovadya (Obadias) diz que, apesar de Israel ser uma nação pequenina, tinha um grave problema de soberba. Até hoje, há quem aja com soberba, acreditando não na missão de Israel, mas numa suposta superioridade. Soberba essa que leva à idolatria, à maledicência, aos maus tratos aos prosélitos, e à arrogância espiritual. Todas essas coisas são abomináveis ao Criador, e nos afastam do verdadeiro propósito da Torá. Sem entender que aquilo que temos a fazer é muito mais importante do que quem somos, e sem voltarmos as costas para politicagem e a fronte para o Eterno, não estaremos prontos para a Gueulá (Redenção). Não desprezemos o que nos foi ensinado pelos profetas e pelos sábios, e busquemos o Criador de todo coração.

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Exaltação e Idolatria (Os. 13:4)

וְאָנֹכִי יהוה אֱלֹהֶיךָ מֵאֶרֶץ מִצְרָיִם וֵאלֹהִים זוּלָתִי לֹא תֵדָע וּמוֹשִׁיעַ אַיִן בִּלְתִּי

“Todavia, Eu sou YHWH teu Elohim, desde a terra do Egipto. Não reconhecerás outro Elohim fora de mim, não há outro salvador senão Eu.” (Hoshea’/Oséias 13:4)

Um dos motivos pelos quais o Reino do Norte caiu na idolatria foi devido à sua arrogância. Querer ser cada vez mais pode tê-los levado a buscar um suposto poder nos outros deuses, para se elevar. O Eterno, portanto, o faria passar pela humilhação e pelo exílio para que pudesse reconhecer nEle o seu único salvador. É preciso tomar cuidado com a falta de limites no nosso desejo de nos exaltarmos ou de nos elevarmos, seja em que área for nas nossas vidas. Se reconhecemos que vivemos para o Eterno, então o que somos importa menos do que a missão que Ele nos concede. Essa é a chave para nos mantermos longe dos excessos que nos desviam dEle.

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